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Matéria publicada por: Marcelo Ramos

Karina e Kael estão de volta em um novo capítulo muito pessoal para a autora porque o seu marido, assim como o protagonista, também um jovem soldado no exército. Anna Todd, que alcançou o sucesso com “After”, conta como surgiu a ideia do livro e porque ela decidiu falar publicamente sobre o movimento Black Lives Matter.

Sem “querido diário”: por ser uma millennial, Anna Todd nunca usou papel e caneta. Suas fantasias sobre Harry Styles, da One Direction, foram freneticamente escritas pelo teclado do seu celular, assim como E. L. James fez com a sua versão erótica de “Crepúsculo”, que se transformou na saga de “Cinquenta Tons de Cinza”. Após seis anos, essas histórias que nasceram como uma diversão e foram publicadas gratuitamente na plataforma do Wattpad (que conta com mais de 1.5 bilhão de leituras), se tornou “After”, uma série que virou um fenômeno mundial com mais de 11 milhões de cópias vendidas e US$ 70 milhões nas bilheterias com o primeiro filme (a sequência chegará nos cinemas até o fim de 2020). A escritora de 31 anos, até o momento, nunca deixou de visitar a Itália em suas turnês promocionais, um dos países onde ela é muito popular. É por isso que ela decidiu continuar com a sua tradição ao lançar seu novo livro, The Darkest Moon (Stars 2 – Noi come sole e luna, em italiano), ao organizar um encontro virtual com seus leitores italianos diretamente de Los Angeles. Com mais de uma hora de perguntas e respostas via Zoom, entre lágrimas, suspiros e uma foto em grupo, os fãs puderam conversar diretamente com a autora sobre suas curiosidades. “Você salvou a minha vida. Eu vivia um momento triste e obscuro e ler as suas histórias me deu forças para continuar vivendo,” uma adolescente confessou.

Após Hardin e Tessa de “After”, Anna Todd continua a contar histórias de amor tumultuosas: é o que acontece entre Karina e Kael, de Stars, em um novo capítulo ainda mais pessoal devido ao seu marido, assim como o protagonista, que também um jovem soldado no exército e ela está familiarizada com os efeitos que isso causam na vida do casal.

Qual é o tipo de amor que este livro conta?
Um que gera frustração em todos, incluindo eu, porque Karina e Kael sentem muita falta um do outro, mas não podem estar juntos. As suas experiências nasceram daquelas ao meu redor, mesmo que não sejam tão similares às minhas. Para ser sincera, meu marido constantemente faz piadas dizendo que, uma hora ou outra, tudo o que acontece entre nós acaba aparecendo nas páginas dos meus livros.

Então, a Karina não é muito parecida com você?
Não, o personagem que mais se assemelha a mim ainda é o Hardin, mesmo que a Karina seja aquela pessoa que pensa demais sobre as coisas, analisa tudo várias vezes, assim como eu. Enquanto escrevo, eu vou mudando o manuscrito tantas vezes que, em algum momento, eu preciso parar senão ele nunca verá a luz do dia.

Você já está pensando em um filme sobre “Stars”?
Eu recebi ofertas e eu gostaria de vender os direitos em breve, mas agora que conheço mais a fundo a indústria dos filmes, eu vou me tornar mais cuidadosa e prudente. Com certeza irei mudar algumas coisas em relação às condições sobre os direitos da história comparado com o que eu fiz com “After”.

Você tem mente alguns atores que gostaria de ver na adaptação?
Sempre. Eu não consigo escrever um personagem se não visualizar o seu rosto. Eu não sei o motivo, mas eu só consegui achar a [atriz que mais se assemelha à] Karina durante o final do segundo livro (a história será uma trilogia). Danielle Campbell, de “The Originals”, seria perfeita para mim.

E para o Kael?
Embora ele passe da idade certa para interpretá-lo, eu gostaria de ver o Michael B. Jordan. Sempre acontece assim para mim: se eu não tiver uma imagem clara das suas aparências, eu não consigo descrevê-los.

Após o sucesso de “After”, se tornou mais fácil de criar uma nova saga?
Não, muito pelo o contrário, na verdade. “After” nasceu de uma diversão e eu absolutamente não pensava que ele se tornaria um livro, muito menos um sucesso. Já com “Stars”, eu sinto a pressão das expectativas dos leitores que não quero desapontar.

Os personagens têm diferentes etnias. Qual é a importância de celebrar a diversidade hoje em dia?
O meu marido e filho são negros, então o movimento Black Lives Matter me tocou muito e ver tantas pessoas irem para as ruas e organizarem algo assim fez com que meu coração se abrisse. Antes, eu tinha medo de me expor para não irritar os meus fãs mais conservadores. Agora, eu não tenho mais medo: eu não concordo com a política do Trump e eu falo disso abertamente, mesmo que custe perder uma parte do meu público. Eu não gosto como os soldados são tratados, recrutados jovens e depois largados quando voltam para casa com sequelas de vários tipos, como estresse pós-traumático.

O que “After” e “Stars” têm em comum e o que os diferenciam?
O amor em “Stars” é mais maduro e complexo, mas nos dois casos nós estamos falando de almas gêmeas, uma força de atração que não pode ser escapada mesmo que você tente muito, como a Karina faz. Você não consegue escapar do seu destino. E todos eles têm pais desastrosos, mas não me pergunte o porquê disso. Simplesmente é assim.

A história de “After” realmente acabou?
Não mesmo. Eu adicionei várias histórias e detalhes às vidas de Tessa e Hardin que eu poderia continuar escrevendo por um muito tempo, mas não compartilhei nada porque não quero entendiar o meu público. Muitos leitores me pedem por mais, então eu decidi vou publicá-los, seja em uma livraria ou online.

Quanto significa para você não poder encontrar com os seus fãs para o lançamento desse livro?
Muito! Essa é a parte que eu mais gosto no meu trabalho, mas a segurança vem em primeiro lugar. Na verdade, eu estava muito hesitante em fazer a divulgação dele nesse período triste. No começo, eu nem queria escrever nada nas redes sociais, eu não queria parecer insensível ao falar sobre ficção quando, na verdade, pessoas estão morrendo ou perdendo pessoas amadas. Eu, no entanto, li muito durante a quarentena e entendi que precisamos de um escape e achar meios para nos entreter mais do que nunca.

Se uma editora não tivesse te descoberto na internet, qual profissão você teria seguido?
Blogueira de livros. Ser paga para ler seria um sonho, ou poder selecioná-los para uma editora. Se eu quisesse focar em algo mais seguro, com um plano de saúde, talvez eu acabaria tendo esses trabalhos chatos de escritório, dos tipos administrativos.

O que te motivou a continuar escrevendo?
Quando eu estava lá pela metade da fanfic em que “After” nasceu, percebi que as pessoas estavam gostando daquilo, então eu disse para mim mesma que talvez exista alguém que realmente queira ler o que eu gosto de escrever. Foi um sonho que eu nunca me permiti sonhar e então aqui estou eu – consegui tornar a coisa que mais amo no mundo em meu trabalho.

O que podemos esperar de Anna Todd para o futuro?
Um terceiro de livro de “Stars”, onde eu vou falar ainda mais sobre racismo; uma sequência de “Spring Girls”, a minha versão moderna de “Little Women”; e uma nova fanfic que eu vou deixar em segredo, por enquanto.

Qual conselho você daria para as pessoas que se inspiram em você ao redor do mundo?
Continuem sendo leitores ávidos, não sigam as tendências e não escrevam histórias apenas para agradar o público. Agora, mais do que nunca, as editoras estão procurando por vozes diferentes, jovens e novas, únicas. Elas estão esperando por você, não tenha medo e vá em frente.

Entrevista: Alessandra de Tomassi para a Vogue Italia
Tradução e adaptação: Marcelo Ramos para o After Brasil

Anna Todd respondeu uma série de perguntas feitas por fãs no seu grupo para leitores no Facebook, na tarde de hoje. A autora falou sobre After We Collided, mais livros no universo After, sequência de The Brightest Stars e novos projetos. Confira abaixo as perguntas e respostas:

Novos livros a serem lançados?
Sim! A sequência de “The Brightest Stars” e estou trabalhando em um livro que é secreto e diferente de tudo que já escrevi até hoje.

Você já sabe para onde irá com a turnê de AWC?
Ainda não sei.

Como está sendo a edição de AWC? Você tem alguma ideia de quando teremos o teaser?
A edição está indo muito bem! É bastante trabalho e um filme é realmente feito durante este processo! Eu ainda não sei sobre datas para o teaser, mas espero que em breve.

Qual a sua cena favorita do próximo filme?
A cena dos 9 dias ou uma que se passa no escritório (não posso ser muito específica).

Haverão mais livros sobre “After”?
Não posso dizer que não…

Histórias favoritas dos bastidores das filmagens?
Todas as nossas piadas internas e risadas. Nós tivemos um bom momento durante as filmagens, parecia um acampamento de verão.

Você chegou a imaginar que os livros de “After” fariam tanto sucesso como fazem agora e que faria um filme?
Nuncaaaa. Eu ainda não consigo acreditar.

Qual é a sua parte favorita sobre escrever?
Poder deixar a minha mente de lado e contar histórias, fazer as pessoas felizes.

Se você tivesse que escolher qualquer outro personagem além de Tessa, Hardin e Landon, quem você gostaria de desenvolver uma história própria e fazê-lo conhecido?
Molly! Eu amo demais a Molly.

Você pode descrever AWC em uma palavra?
Intenso.

Eu amaria se você escrevesse outro livro na série “After” falando sobre os anos que se passaram dentro da história, sobre os desafios do amor, eles criando uma família. Você já pensou nisso?
Sim! Eu tenho escrito bastante sobre isso ao longo dos anos e vou publicar algum dia.

Como você se força a escrever? Isso apenas acontece?
Algumas vezes, as palavras brotam para fora de mim, mas, outras vezes, eu tenho que forçar a escrever. Mas, todas as vezes que eu me forço, acabo apagando tudo o que escrevi 🙁

Parte favorita das filmagens de AWC?
Ver o grande crescimento dos personagens em comparação ao primeiro filme.

Quais são os seus planos depois que filmar todos os filmes da série “After”?
Espero que fazer os filmes de meus outros livros.

Objetivos que espera cumprir em 2020?
Terminar de escrever os dois livros que estou trabalhando!

Se você pudesse jantar com uma pessoa famosa, que já morreu ou que ainda é viva, quem seria? Por quê?
Hmmm, provavelmente Tom Hanks porque eu acho que ele é bondoso e um cara esperto. Ou Jane Austen para receber conselhos sobre como ser uma mulher no mundo editoral masculino.

O que te inspirou ao fazer Karina ter um irmão gêmeo em “The Brightest Stars”?
Eu queria que ela tivesse um “espelho” durante a sua jornada e Austin faz esse papel.

Como você definiria esta família que criamos?
Incrível e conectada <3

Qual o seu personagem favorito de “After”? E o seu livro e filme favorito de todos os tempos?
Hardin é o meu personagem favorito. Livro favorito é “Clockwork Princess”, filme é “Sleepless in Seattle”.

Quando será lançado o segundo livro de “The Brightest Stars”?
Este ano! Ele está quase pronto 🙂

Você planeja tornar os livros do Landon em filmes?
Eu espero que sim 😉

Tem algo que você pode nos contar sobre o trailer de AWC?
É quente e dramático.

Você escreveria outro livro sobre romances jovens parecidos com “After”?
Sim! Eu amo escrever sobre amores jovens.

Por que você apressou “After Ever Happy”?
Pressão da minha editora.

Por que você acha que as pessoas criticam a complexidade do relacionamento entre Tessa e Hardin?
Porque isso as deixa desconfortáveis e levanta questionamentos que muitos “romances” não fazem. Para mim, é por isto que eu gostaria de ser conhecida.

Você escreveria um spin-off focado exclusivamente na Molly?
Eu pensei em fazer isso diversas vezes!

Erros de gravações em AWC?
Sim.

Qual a sua parte favorita ao ver seus livros ganharem vida?
Ver o quanto eles tornam vocês felizes e conhecer a Jo e o Hero.

Hardin terá mais tatuagens?
Sim. Não como nos livros, mas terá sim.

Você faria mais audiolivros? Sua voz é incrivelmente linda!
Aw, obrigada! Na verdade, eu já considerei! Agora você está me deixando com vontade de realmente fazê-los!

Você fica irritada quando os fãs te atacam? Eu fico por você!
Sim haha. Não fico tão brava quanto costumava ficar, mas eu estava deixando isso me atingir, então percebi que o Twitter não é vida real haha

Pode nos dar algumas pistas sobre os temas abordados na sequência de “The Brightest Stars”?
Dor, vício, perdas e ansiedade.

Qual é o seu lugar favorito para escrever?
Cafeterias lotadas com vários assentos! Ou o meu escritório em casa, mas eu me distraio com muita facilidade haha.

Anna ainda disse que planeja voltar para responder mais perguntas, desta vez em uma live!

Você teve um bom Natal e Ano Novo?
Sim! Foi uma época ótima e de descanso. Eu passei bastante tempo balanceando entre cuidar da minha saúde mental e cuidado próprio, e planejando o novo ano. Espero que você também tenha tido [um ótimo Natal e Ano Novo].

Quais livros você está lendo atualmente?
Eu acabei de terminar “In Peace Lies Havoc”, de Amo Jones, e agora estou lendo “The Silver Swan”, também dela.

O que está no topo da sua lista de desejos?
Hmm, eu diria que ter uma casa cheia de netos e ser feliz, mas no topo mesmo é visitar a Tailândia e Índia.

Qual o seu livro favorito?
De todos, é “Clockwork Princess”. Os meus outros são “Clockwork Princess”, “The Bronze Horseman”, “You”, qualquer um de Jane Austen, e “God Shaped Hole”.

Você leria algumas histórias dos seus fãs no Wattpad?
Sim, é claro! Me manda o link.

O seu marido leu seus livros?
After não, mas ele sabe cada parte dele.

Você já ouviu falar sobre Madagascar? Existem muitos afternators por aqui, sabia?
Sim! Eu quero ir aí!

O que você faz quando se sente “parada” na vida? Eu estou em momento em que não vejo nenhuma luz no fim do túnel, então estava curiosa.
Eu medito bastante. Eu faria um lista, seja mental ou em um papel, das coisas que você deseja na sua vida e como chegar até elas. Eu também tentaria um hobby novo, começar a caminhar ou ler mais. Aprender uma língua nova, lembrar você mesma que é forte e capaz e a luz no fim do túnel chegará <3

Você tem alguma tatuagem que gostaria de fazer em 2020?
Eu tenho umas 3! A cauda de uma baleia, uma sobre Harry Potter e uma janela de avião.

Você consegue se imaginar participando do “Spill Your Guts or Fill Your Guts”, do James Corden, com Jennifer Gibgot e Roger Kumble?
Meu Deus, eu gostaria!! Vamos cruzar os dedos para que isso aconteça haha

Como está o Asher?
Muito bem, a linguagem dele está se desenvolvendo melhor recentemente e todos os seus terapeutas estão indo bem. Eu estou muito feliz e orgulhosa dele porque tem sido difícil para por um tempo.

Anna, você deveria escutar a música “Love Maze”, do BTS, e levá-la em consideração para o nosso filme ou uma playlist.
Eu AMO essa música

Quando você terá outros filhos?
Hmm, nós tentamos decidir quando,, mas eu estou tão ocupada agora com tantas coisas relacionadas a trabalho. Eu quero adotar e ter outro filho biológico, provavelmente nos próximos dois ou três anos?

Alguma vez você já descansou e aproveitou o seu sucesso? Tirar uma mini-férias?
Não haha todas as vezes em que tirei “férias”, eu acabei trabalhando o tempo inteiro. Eu espero por férias em 2022.

Como foi o seu dia?
Bom! Eu escrevi, recebi alguns telefonemas, e nesta tarde eu tenho uma reunião muuito incrível!!

Música favorita do momento?
Falling – Harry Styles.

Anna Todd é nativa de Dayton, Ohio de 29 anos e encontrou no Wattpad, um aplicativo de escrita social virtual, uma forma de se entreter entre seus empregos. Trabalhando em seu celular o dia todo, ela criou a Série After — cinco livros sobre Tessa e Hardin, uma história da “boa garota” que conhece o rapaz rebelde britânico. A sua fanfiction, cheia de amor por One Direction e Harry Styles, se transformou a história mais lida da plataforma com mais de 1,5 bilhões de leituras. Gallery Books publicou as edições físicas da história em 2014.

Quando perguntada para descrever seu estilo de escrita para uma pessoa que não a conhece, a residente de Los Angeles respondeu “ritmo rápido”, “dramático” e “muito conteúdo jove,-adulto angustiante”.

A sua carreira até agora chegou ao ápice em Agosto, quando ela esteve em Atlanta no set da adaptação cinematográfica de After, programada para ser lançada nos cinemas em 12 de Abril. Nós recentemente conversamos com Todd, que está lançando o 10º livro, “The Brightest Stars”, nesta terça. Com mais de 1,7 milhões de seguidores nas redes sociais, seus fãs podem esperar a história de Karina, uma massagista e filha de militar que cruza o caminho com Kael, um jovem soldado lidando com duas convocações ao Afeganistão. Essa entrevista foi editada e diminuída.

Chicago Tribune: Seu último livro é centrado no estilo de vida militar e estar casada com um veterano. O quanto de você foi refletido no livro?

Anna Todd: Acho que tem muito de mim nos dois personagens; mais nela, claro, mas não é em nenhuma forma autobiográfico, porque é um cenário completamente diferente e com pessoas diferentes. Mas definitivamente tem muita inspiração da vida militar. Eu sou casada com meu marido desde que eu tinha 18 anos, nós namoramos no ensino médio e ele foi para o Iraque três vezes — então tem muito de mim no livro e muitas das emoções de quando o meu marido foi convocado.

CT: Olhando para trás, você acha que se tivesse escrito outro tipo de fanfiction, seus livros teriam se tornado tão populares?

AT: Acho que nós nunca saberemos. Eu escrevi de um lugar dentro de mim que queria muito contar histórias, mas eu escrevia principalmente por ser fã. Eu amo fanfiction da One Direction e queria escrever uma, então não acho que eu jamais teria escrito se não fosse sobre eles.

CT: Você tem uma fã base grande em Chicago?

AT: Chicago é o lugar dos EUA onde tenho a maior base de leitores. Se eu pergunto aos meus leitores onde, nos EUA, eu deveria ir, Chicago sempre tem mais votos. As pessoas me perguntando, desde o começo, quando é que eu vou para Chicago? As minhas estatísticas de leituras no Wattpad é enorme em Chicago, é muito legal.

CT: Você criou o seu caminho até ser publicada. Você olha pra trás com medo agora?

AT: Quando eu estava escrevendo, eu não tinha ideia. Quando estava escrevendo, eu apenas pensava que estava fazendo aquilo por diversão. Eu não estava escrevendo para uma editora ou pelo modelo editoral, eu não pensava nisso, na verdade, mas de alguma forma deu certo pra mim. Eu sinto que manter o modelo editoral tradicional — onde você tem depende de um agente e envia seu manuscrito para 50 editoras e espera que uma delas goste de sua história — não vai se manter por muito mais tempo, porque sinto que leitura deveria ser uma democracia. A ideia de que um editor de alguma forma decide tudo o que nós teremos acesso é meio louco pra mim. É por isso que gosto do Wattpad, porque as pessoas decidem.

CT: Quem é a sua musa inspiradora?

AT: Eu amo contar histórias de primeiras vezes — primeiro amor, primeira experiência na faculdade, primeiro beijo, todas essas coisas. Eu me inspiro muito em músicas, mas é diferente com cada livro. Se você me perguntar o que acontece no final do segundo livro ou no fim da série, eu não tenho ideia. Quanto a “Stars”, enquanto eu pensava sobre o que iria escrever em seguida, esta história permanecia  comigo. Honestamente, acho que as minhas próprias experiências e apenas querer colocar tudo pra fora sem perceber que estou querendo colocar tudo pra fora.

CT: O que você espera que seus leitores levem consigo depois de ler qualquer um de seus livros? 

AT: Acho que quando eu leio uma história, ela muda alguma coisinha em nós, só um pouco. Eu quero que as pessoas mudem um pouco e espero que eu possa dar a elas uma forma de escape.

CT: Qual é o feedback de seus leitores?

AT: Normalmente, “você me fez amar leitura”, o que é sinceramente uma das minhas coisas favoritas de ouvir. Existem tantos pais, professores e bibliotecários que chegam até mim e dizem que vários jovens vão até eles pelos meus livros ou pelos clássicos que eu referencio em meus livros — o que é muito legal. No geral isso ou eles se apegam aos personagens porque eles parecem reais. Eu gosto de escrever personagens que parecem pessoas que eu conheço de verdade.

Nos Estados Unidos, “The Brightest Stars” tem lançamento marcado para 18 de Setembro, no Brasil, o livro será publicado pela Astral Cultural ainda em 2018.

Tradução por After Brasil. Você encontra a entrevista original aqui.

Matéria publicada por: Douglas Vasquez

O USA Today divulgou através do portal literário Happy Ever After um trecho exclusivo do novo livro de Anna Todd, a ser publicado nos Estados Unidos em 18 de Setembro de 2018, de forma independente, e no Brasil, até o fim do ano pela Astral Cultural.

LEIA: Saiba tudo sobre “Stars”, a nova trilogia de Anna Todd!

UM

Karina, 2018

O vento sopra em toda a cafeteria toda vez em que a velha porta de madeira é aberta. Está estranhamente frio para Setembro e tenho quase certeza que é algum tipo de punição do universo por concordar em me encontrar com ele, hoje de todos os dias. Onde eu estava com a cabeça?

Eu mal tive tempo de colocar maquiagem nas olheiras inchadas embaixo dos meus olhos. E esta roupa que estou vestindo, quando foi a última vez que foi lavada? De novo, onde estava com a cabeça?

Agora mesmo estou pensando em como a minha cabeça dói e não tenho certeza de que trouxe ibropufeno em minha bolsa. Também estou pensando em como foi esperto da minha parte em escolher uma mesa próxima da porta, assim posso sair correndo, se precisar. Este lugar no meio de Edgewood? Neutro e nem um pouco romântico. Outra boa escolha. Estive aqui apenas algumas vezes, mas é o meu lugar favorito em Atlanta. As mesas são limitadas — tem apenas dez delas — então imagino que queiram encorajar encontros rápidos. Existem alguns pontos legais para o Instagram, como a parede cheia de suculentas e aquele detalhe em preto e branco atrás dos baristas, mas no geral, é um pouco rústica. Cinza escuro e concreto por todos os lados. Liquidificadores batendo couves-flor em um som alto ou qualquer outra fruta que esteja na moda no momento.

Apenas uma porta: uma forma de entrar, a mesma para sair. Olho para baixo para o meu celular e seco minhas mãos em meu vestido preto.

Será que ele vai me abraçar? Apertar minha mão?

Não consigo imaginar um gesto tão formal. Não dele. Droga. Estou me preocupando demais e ele nem chegou ainda. Pela quarta vez no dia, consigo sentir o pânico borbulhando em meu peito que me ataca toda vez em que penso neste encontro, ainda o vejo da mesma forma que o vi quando coloquei meus olhos sobre ele. Não tenho ideia de qual versão dele irei encontrar. Não o vejo desde o inverno e não faço ideia de quem ele é mais. E falando sério, será que eu soube algum dia?

Talvez eu apenas conheça uma versão dele — uma iluminada forma do homem que estou esperando agora.

Acho que talvez eu pudesse ter o evitado pelo resto da minha vida, mas a ideia de nunca mais vê-lo é pior do que estar sentada aqui, agora. Pelo menos consigo admitir isso. Aqui estou, esquentando as minhas mãos em um copo de café quente, esperando-o entrar por aquela velha porta depois de ter jurado à ele, à mim mesma, à qualquer um que pudesse ouvir pelos últimos meses que eu nunca…

Ele não vai chegar pelos próximos cinco minutos, mas se ele for um pouco como o homem que eu me lembro, ele vai chegar atrasado com aquela cara de irritado.

Quando a porta se abre, é uma mulher que entra. Seus cabelos loiros são como um ninho no topo de sua cabeça pequena e ela está segurando o celular contra sua bochecha avermelhada.

“Não dou a mínima, Howie. Dê um jeito.” Ela grita, desligando o telefone com um jorrão de palavões.

Eu odeio Atlanta. As pessoas aqui são todas como ela, o temperamento ruim e sempre com pressa. Nem sempre foi assim. Bem, talvez tenha sido; Eu não era, ao menos. Mas coisas mudam, eu costumava amar esta cidade, especialmente o centro. As opções para o jantar são de outro mundo e para uma pessoa apaixonada por comida vivendo em uma cidade pequena, bem, só isso já era motivo o suficiente para me mudar pra cá. Sempre existe algo para fazer em Atlanta e tudo está sempre aberto até mais tarde do que por Ft. Benning, mas o que mais me chamou atenção na época, foi que eu não era constantemente lembrada da vida militar. Sem camuflagem por todos os lados. Nada de uniformes nos homens e mulheres pela cidade, como a fila para o cinema, o posto de gasolina ou a Dunkin Donuts. Pessoas falando coisas reais, não apenas siglas e diversos cortes da cabelo nada militares para admirar.

Eu amava Atlanta, mas ele mudou isso.

Nós mudamos isso.

Nós.

Isto é o mais próximo que eu iria de admitir alguma culpa sobre tudo o que aconteceu.

DOIS

“Você está encarando.”

Apenas algumas palavras, mas elas invadem dentro e sobre mim, chocando todos os meus sentidos e todo o meu sentido. E ainda assim, existe aquela calmaria também, aquela que parece estar conectada dentro de mim em todo lugar que ele está. Olho pra cima, para ter certeza de que é ele, mesmo sabendo que sim. Logo então, ele está em pé na minha frente me encarando com seu olhar severo, procurando… algo remanescente? Queria que ele não me olhasse dessa forma. O lugar pequeno está, na verdade, lotado, mas não parece. Eu tinha esse encontro todo planejado, mas ele atrapalhou tudo e agora, perdi toda a coragem.

“Como você faz isso?” Pergunto a ele. “Não o vi chegar.”

Tenho medo de que a minha voz soe como se eu estivesse acusando-o de algo ou que estou nervosa — e isso é a última coisa que eu quero. Mas ainda me pergunto, como ele consegue fazer isso? Ele sempre foi tão bom com silêncio, se mover sem ser notado. Outra habilidade adquirida com o Exército, acho.

Eu faço um gesto para que ele se sente. Ele desliza sobre a cadeira e é quando eu noto sua barba cheia. Uma linha precisa sobre suas bochechas e seu maxilar coberto por pêlo preto. Isto é novo. Claro que é: ele sempre teve que obedecer os regulamentos. Cabelo deve ser cortado e totalmente aparado. Bigodes são permitidos, mas apenas se estiverem bem cortados e não estiverem crescendo sobre o lábio superior. Ele me disse uma vez que estava pensando em deixar crescer o bigode, mas eu o convenci a não fazer isso. Mesmo com um rosto como o dele, um bigode seria estranho.

Ele pega o cardápio da mesa. Cappuccino. Mocchiato. Latte. Leite puro. Preto. Quando foi que tudo ficou tão complicado?

“Você gosta de café agora?” Nem tento esconder a minha surpresa.

Ele balança a cabeça, “Não.”

Um meio sorriso aparece em seu rosto sério, lembrando-me da mesma razão pela qual eu me apaixonei por ele. Um momento antes era fácil desviar o olhar. Agora, é impossível.

Tradução livre por After Brasil. Credite, se replicar.

  • O trecho é quase o mesmo que já havia sido publicado no Wattpad há meses atrás. Você encontra esse e mais alguns capítulos em nosso perfil, traduzidos.

Recentemente a Anna participou de um episódio do podcast “Go Publish Yourself“. O episódio tem pouco menos de 15 minutos, onde ela falou sobre seu começo no mundo literário, a mudança do After Movie da Paramount para a Cinelou Films, o processo para encontrar o elenco certo, seu novo livro e um pouco mais. A tradução é do After Brasil, então, credite se replicar.

Você pode ouvir o episódio enquanto lê clicando aqui.

Justine Bylo: Bem-vindos ao Go Publish Yourself. Estes são os Autores Destaques. Eu sou Justine Bylo, a Gerente de Aquisição de Autores da IngramSpark. Bem, estou muito animada para a convidada que temos para vocês hoje. Se junta a nós a absolutamente fabulosa e maravilhosa Anna Todd. Anna é autora Número 1 do New York Times internacionalmente e autora da série After. Elogiada pela Cosmopolitan como o maior fenômeno literário de sua geração, Anna começou sua carreira na rede social de histórias Wattpad. De forma seriada, no Wattpad, em 2013, After já alcançou a marca de 1,5 bilhões de leituras no site. A edição publicada em 2014 pela Gallery Books, um selo da Simon & Shuester, tem 15 milhões de cópias em circulação e já foi traduzida para mais de 30 línguas. Um filme de mesmo nome está em produção com expectativa de lançamento para 2019. Wow, meu Deus, bem-vinda Anna. Muito bom ter você aqui!

Anna Todd: Obrigada.

JB: Isso é tão emocionante. Parabéns pelo filme. Tantas coisas divertidas acontecendo aí.

AT: Sim, estou tão animada e muito, muito ocupada, mas é muito legal.

JB: Sim, meu deus, sim. Sua vida está tão corrida ultimamente. Parece muito espetacular. Então, nós temos que começar do começo, certo? Como todas as boas histórias. Isso tudo começou com seu amor por boybands. Correto?

AT: Sim. Eu basicamente sempre estive lendo, mas nunca considerei escrever. Apenas parecia tão fora da… as pessoas de Dayton, Ohio [onde a Anna cresceu], sem faculdade, apenas não escrevem. Então, na verdade, reconsiderei e comecei a ler fanfiction. Eu sempre estive lendo fanfiction, tipo Crepúsculo, mas tem dezenas de fanfictions da One Direction. Dezenas, milhares.

JB: Isso é maluco, eu não fazia ideia, porque eu mesma amo uma boa fanfic de Harry Potter. Amo. Mas One Direction, é tão de nicho.

AT: É muito. Eu encontrei uma através de uma foto no Instagram que uma prima me enviou. Era parte de um Imagine, que foi o que me fez começar a ler fanfiction da One Direction e me fez pensar em começar a escrever a minha própria. Mas honestamente, eu gostaria de poder dizer que eu sempre quis escrever desde epquena, mas de verdade, isso não é nem um pouco o que aconteceu. Eu leio a vida toda e tipo, eu gostava de escrever na escola, mas eu nunca pensei em fazer isso, nunca pensei que poderia ser uma autora. Sinto que eu apenas fiquei sem o que ler no Wattpad, o que é insano porque tem milhares de histórias lá, mas eu apenas não conseguia encontrar nada para ler e eu apenas queria ler fanfiction da One Direction. Eu não queria ler nada que já havia sido publicado. Eu não queria ler livros independentes. Eu não queria ler nenhum tipo de livro. Eu apenas queria ler sobre Harry Styles. Então eu fiquei sem ter o que ler e comecei a escrever a minha, acho, e eu nunca pensei que alguém fosse ler também. Eu pensei que fosse apenas ser uma coisinha que eu faria naquele dia, e então o primeiro capítulo, e foi essa loucura. Tinha essa pressa e essa excitação mesmo que ninguém estivesse lendo. Porém foi tão divertido escrever.

JB: Você literalmente criou esse fenômeno de sua necessidade por querer mais fanfiction. Que loucura. Amo isso, amo. É tipo como eu me sinto com romances. Eu quero mais romances desse tipo, e então, acho, que talvez eu apenas escreva um.

AT: Exatamente.

JB: Quando você encontrou o Wattpad, você teve algum pressentimento de como isso mudaria o curso de sua vida completamente?

AT: Não, honestamente. Eu estava lendo uma das fanfics dessas garotas no Instagram e ela disse “Eu vou colocar mais no Wattpad”. Eu fiquei, tipo, “o que é isso?”. Eu tinha apenas o Twitter, porque eu queria acompanhar notícias de Crepúsculo. Eu não… Eu não queria mais nenhuma aplicativo. Eu não quero mais nenhum aplicativo. Mas eu baixei. Eu nunca havia ouvido falar daquilo antes. Eu nunca soube que havia milhares de pessoas escrevendo histórias apenas por diversão e isso explodiu minha mente. O tanto de fanfiction no Wattpad naquela época, especificamente, me deixou ocupada por um tempo.

JB: Ah, totalmente.

AT: Eu mal conseguia mexer no site. Eu ficava confusa quando eu escrevia um capítulo, aí eu ia escrever um comentário para alguém e não funcionava. Eu não sabia. Eu costumava enviar vários pedidos de ajuda para o pessoal da técnica, “Eu não sei fazer isso, pode me ajudar?” É tão engraçado pensar nisso hoje em dia, ter que esperar que eles me respondessem.

JB: Isso é ótimo,. Provavelmente esses caras da técnica ficam tipo, “Sabe, eu falava com a Anna Todd o tempo todo”. É fantástico. [Ela explica o que é o Wattpad para os ouvintes que não sabem o que é.] Agora, After irá se tornar um filme, o que é o sonho de todo autor. Como tem sido o processo até agora?

AT: Tem sido muito incrível, honestamente. Tem sido um longo… bem, não tanto… Os direitos estavam com a Paramount por dois anos e meio. Quando eu assinei meu primeiro, isso vai soar ridículo, meu primeiro contrato de direitos para filme, eu não sabia sobre nada. Eu não tinha nenhuma ideia do que as terminologias de um contrato significavam. Eu não consigo acreditar que alguém iria querer isso. Então, com meu primeiro contrato, eu não tinha nenhum tipo de controle, zero. Eu tive sorte de eles considerarem as minhas opiniões. Eu achava que no momento em que você assinava um contrato para um filme, você estaria escolhendo se você queria Liam Hemsworth ou Chris Hemsworth em seu filme na semana seguinte, mas não é assim que o processo funciona. Então, alguns anos depois, eu estava tipo, “Espere um segundo… O que estamos fazendo?” Comecei a aprender mais, eu me mudei para Los Angeles, comecei a entender mais sobre a indústria cinematográfica. Eu senti que deveríamos tentar adquirir os direitos da Paramount de volta pra mim. E assim fizemos. Eles foram ótimos quanto a isso, foram ótimos… Ninguém está fazendo filmes para mulheres no momento.

JB: É um grande passo.

AT: Sim! Se tivéssemos um estúdio menor talvez pudéssemos ter mais controle, ter certeza de que era o tipo de filme certo, conteúdo para mulheres que realmente o querem. Eu percebi isso e tem sido um processo ótimo. Eu estive bastante envolvida na escalação do elenco. Eu estive nas reuniões sobre elenco, vi os atores lendo, assisti a todos os os vídeos.

JB: Oh, isso é muito legal.

AT: Estive em quase todas as reuniões, exceto aquela que não são da minha conta, mas estive em todas as coisas criativas. Eles foram incríveis. Encontramos os atores principais um tempo atrás e tem me deixado maluca não poder falar sobre isso.

JB: É um segredo tão grande pra se manter de todos os seus fãs e tudo mais.

AT: Me deixou maluca. Finalmente os anunciamos semana passada e foi incrível. Mal posso esperar. Tivemos outro teste de elenco ontem, é tão louco ver as pessoas audicionarem para o meu filme. Incrível.

JB: Deve ser louco ver esses personagens que você teve em sua cabeça por tanto tempo, do nada criarem vida em sua frente, se manifestarem em atores. Essa deve ser a viagem mais legal de todas.

AT: É tão louco e é mais louco ainda porque as pessoas que acabam sendo as minhas favoritas para os personagens até agora, literalmente, nenhuma delas se parece em nada como eu imaginei que iriam.

JB: Sério?

AT: Nenhuma delas. Não é sobre como se parecem. Eles sempre trazem os atores que se parecem exatamente com os personagens, mas sempre tem aqueles que surpreendem no meio. No início, quando olho para suas fichas, porque eles trazem fichas com as fotos de todos, eu fico “O que essa pessoas estão fazendo aqui? Essa pessoa não faz sentido”. E então quando elas fazem a audição, aconteceu comigo ontem onde uma das pessoas, eu tava tipo “Como assim? Esse cara não se parece nada com ninguém em minha história” e então ele entrou e ele foi o achado do dia. Estou obcecada por esse cara. Ele tinha muito em comum com o personagem, mesmo que se pareça completamente diferente. Ele se pareceu com o personagem mais do que qualquer outro. É um processo tão estranho.

JB: Total! Você diria que não se pode julgar um livro pela capa então? Pra ter um gancho nos livros.

AT: Total!

JB: Isso é tão louco. Este universo irá vir à vida nas telonas pra você também. Essa também tem que ser uma coisa louca. Como você assimila isso como autora? Este é o seu bêbê.

AT: Sabe, têm tido seus altos e baixos. Às vezes eu fico tipo, “Este filme vai ser exatamente como o livro”, o que nunca acontece, nunca. Mas quanto mais meu filme se torna algo separado, digo, não realmente separado porque estou envolvida em todos os passos, mas me parece como sua própria coisa agora, porém ainda se parece com o livro. Não sei… é difícil de explicar. Às vezes alguém tem uma ideia, “Hardin deveria fazer isso ou aquilo” e tipo “Não, isso nunca vai acontecer”. E há outros momentos em que a diretora diz, “O que você acha dessa cena indo pra lá e essa pra cá?”. Na verdade, isso é o que eu já deveria ter feito. Estou tão feliz com o processo. Acredito que é sempre bom lembrar meus leitores de que não será a mesma coisa, não importa como seja. Se for próximo demais, então não irá traduzir bem, porque nos livros, temos diálogos internos, temos páginas e páginas de narração e no filme temos 45 segundos para retratar o que eu escrevi em 10 páginas.

JB: Exatamente e ele ganha vida própria, essa peça viva de arte que é totalmente separada do livro em certo ponto. Se torna sua própria entidade e isso é o mais maluco do processo, o processo de adaptação.

AT: É mesmo. Eu estava tão preocupada com o elenco, “e se eles não gostarem da cor do cabelo dela” e essas coisas todas. Eu comecei a pensar, “espere um segundo”, a maioria das pessoas que vai assistir isso provavelmente nunca nem ouviu falar de mim. Eles não fazem ideia. É uma parte tão estranha, acho. Não consigo assimilar isso ainda.

JB: É. Isso é louco. Acho que quanto mais o processo progredir vai ficar cada vez mais estranho. Muito mais pessoas irão conhecer você e seus livros, o que é ótimo porque eles são maravilhosos. Falando de livros, você tem um novo a caminho. Podemos falar sobre ele? The Brightest Stars.

AT: Sim.

JB: Este é muito animador. Você decidiu publicá-lo de forma independente, o que é divertido. O que a fez tomar essa decisão?

AT: Acho que apenas queria sair da caixinha e tentar coisas novas. Eu amei estar na Simon and Schuester. Meu editor na Gallery era incrível e eu não poderia ter feito nada dessa maluquices que aconteceram nos últimos anos sem ele.

JB: Totalmente.

AT: Eu sinto que eu me afastei disso e queria fazer todas essas coisas por conta própria. Diferentes formas de marketing, diferentes tipos de turnês. O meio editorial, infelizmente, não tem muitos recursos e é bem velha guarda, eu acho. É tipo uma coisa antiquada. Me sinto mal por dizer isso, mas é verdade, honestamente. Esta é a minha carreira e eu venho querendo fazer isso por um bom tempo, sinto que eu tinha todas essas coisas de lado que eu poderia eu mesma pegar e fazer. A maioria dos meus livros são um sucesso fora do país, então eu aprendi muito com essas editoras internacionais e como elas funcionam e de que forma elas engajam com a comunidade leitora. É diferente em todo lugar, claro, mas eu me senti inspirada por um momento e “espere um segundo, podemos fazer isso! Eu posso fazer isso eu mesma!”

JB: Poder ter um pouco de controle sobre o produto também. E estar no comando do seu próprio destino um pouco. Eu estou animada para o livro novo. Será ótimo.

AT: Obrigada! Estou animada!

JB: Ah sim, será maravilhoso. Estamos ficando sem tempo, então vou fazer uma última pergunta. Então, qual é a coisa que você mais gostaria que tivessem te dito antes de você começar sua jornada literária? Eu sei que essa é difícil.

AT: Eu acho que eu diria, estive pensando sobre isso ultimamente, então acaba não sendo tão difícil. Eu estive pensando sobre isso porque eu queria que alguém tivesse me dito… Não sei como colocar pra fora, mas eu tive a Síndrome do Impostor pelos três primeiros anos da minha carreira, onde eu sentia que não conseguia acreditar que as pessoas me deixaram entrar no mundo literário. Eu não acreditava que eu tinha livros publicados. Eu não acreditava que alguém, de verdade, achava que eu deveria ser uma escritora. Eu sentia como se eu não merecesse porque eu me encontrava com escritores que estiveram escrevendo pelos últimos 15 anos, escritos incríveis, e nenhuma editora queria publicá-los. E mesmo quando eles publicavam de forma independente, os livros não vendiam. Então, eu comecei a ver a realidade do que autores fazem e como eles são publicados, na maioria do tempo. Eu apenas havia tropeçado na porta de trás. Então, eu comecei a sentir que eu não merecia nada disso. Mas então, mesmo conversando com eles e tendo as minhas coisas, isso talvez seja verdade, mas eu vou fazer qualquer coisa para superar isso. Eu estou dentro agora e é minha responsabilidade fazer com que a minha carreira cresça a partir daqui. Eu posso ter entrado sem ter tido muitas dificuldades [ela usa o tempo “querying”, em inglês]. Eu nem sabia o que “querying” significava. Isso faz com que minhas orelhas sangrem. Eu super tinha a Síndrome do Impostor, então eu queria que alguém tivesse dito tipo, “Está tudo bem apreciar ou estar consciente de não ser a mais qualificada, mas também é OK aproveitar a felicidade e não se sentir mal com isso”.

JB: Totalmente. Você tem livros que falam de verdade com as pessoas e tocou dezenas de pessoas, então, não acredito que você seja uma impostora de forma alguma, Anna. Apenas espero que você continue escrevendo mais e mais livros incríveis.

AT: Muito obrigada.

JB: De nada. Muito obrigada por estar aqui em nosso podcast e por falar comigo hoje. Isso tem sido incrível. Estou muito feliz por ter tido você aqui hoje. Sei que nossos ouvintes estão animados também, então muito, muito obrigada.

AT: Obrigada!




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