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Matéria publicada por: Cínthia Demaria

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Dentre os personagens de After que mais despertam a curiosidade dos leitores, Molly sem dúvida alguma ocupa o Top Five das personalidades que gostaríamos de compreender melhor. Extremamente marcada por uma presença forte (física e emocionalmente), a dona dos cabelos cor de rosa merece um destaque no divã, e hoje vamos falar sobre ela. 🙂

No texto do Zed comentei sobre o papel dele de marcar o antagonismo ao casal principal da trama (se você não leu, clique aqui para ler). A princípio, Molly aparentemente carrega essa característica, de tentar forçar um triângulo amoroso onde ‘competiria’ com Tessa o amor de Hardin. Entretanto, ao meu ver, o papel dela vai muito além disso. Não há competição nem aposta para ver quem levaria ‘a melhor’. A questão dela é endereçada mais do que a Tessa ou a Hardin, mas à vida. E é atrás deste semblante de bad bitch que ela irá se esconder do seu próprio passado e não se deixará abalar por qualquer situação.

Vocês também percebem que ao longo da narrativa fica claro que o objetivo dela nunca foi o Hardin especificamente? Por mais que tenha sido ela a provocar Tessa na festa em que se conheceram, a endereçar mensagens para o telefone de Hardin e a revelar a aposta, ela nunca quis ‘vencer’ Tessa e ganhar Hardin como um troféu. Para mim, Molly tem uma questão por detrás do casal que é muito mais do que ‘forçar’ uma separação entre eles. Há um medo de enfrentar a vida e o amor, a partir do que eles começam a desvelar para ela. E é isso que a incomoda. Para não ter que lidar com isso, é melhor se afastar e continuar a ocupar o lugar de vilã da vida. É melhor manter-se forte do que fraquejar para um sentimento que só trazia culpa a ela.

Molly tem um papel tão relevante, que ganhou algumas páginas no livro que desvenda o passado de Hardin e de alguns outros personagens, também conhecido como Before.  No prefácio ao capítulo de Molly, Anna descreve “Conforme a garota foi crescendo, ela aprendeu o jogo e se tornou uma excelente jogadora”. Há uma contextualização no passado da história desta personagem onde ela aprende a vestir-se do semblante da sensualidade para não ter que se a ver com o vazio em si. Ela só ganharia a atenção de alguém se pudesse expor o que ela tinha de bom: o seu corpo, bem como a sua mãe lhe ensinou. Porém, ao contrário de Carol, a mãe de Molly a culpou pela vida que levava e até por ter destruído o corpo que tinha antes de engravidar. E então decide abandonar a filha, em meio a um vazio de uma vida cheia de mordomias e sem nenhuma simpatia.

Apesar disso, Molly soube amar. E quando descobriu que isso seria possível, perdeu o grande amor da sua vida praticamente em seus braços, em um acidente de carro que ela mesmo havia causado. Mais uma vez, a culpa por estragar a vida dos outros se fez presente. E enquanto corria de um homem que a perseguia na rua, a mãe de seu ex-namorado a encontra e a aconselha a ir estudar. E é mais uma tentativa que ela faz para manter-se de pé, mostrando que a personalidade é forte, porque assim teria que ser, não havia outra alternativa.

Diferente de Hardin, Molly tem um passado traumático onde ela só sobreviveria se fosse forte. Ninguém escondeu-lhe a dor. Ela conheceu a mãe que tinha e precisou enfrentar isso. Ela conheceu o amor e foi assombrada por ele, quando se deparou com a morte do corpo de um amante, que enterrou com ele, toda a esperança de que a garota de cabelos cor de rosa poderia ter neste sentimento. O amor, para ela, não é algo desconhecido. É sinônimo de dor, de culpa. E a única saída seria ser forte e fechar-se a essa possibilidade, seja de onde ela viesse.

E assim fez, foi estudar e precisou enfrentar um amor que deu certo. Como mencionado acima, a questão dela não era com Hardin, mas com o amor que ele poderia sentir. Ela não acreditava em um amor sem culpa, e quase que numa tentativa de fazer Tessa enxergar isso, ela a provoca e revela a aposta como se quisesse dizer: “Jamais acredite no amor, ele sempre decepciona”. Da pior maneira possível, ela ajuda Tessa na tentativa de poupá-la de viver o que ela já viveu. Isso também explica a atitude que Molly teve na fatídica noite da traição de Steph. Mais uma vez, ela é quem ajuda Tessa, mas desta vez, pelos motivos certos. E isso a transforma. Ouso dizer que é nesse momento em que ela descobre que poderia amar novamente, porque consegue se importar e proteger alguém de si mesma.

A antipatia entre Tessa e Molly revelava o amor, em diferentes momentos. Tessa estava encontrando-o e Molly não queria sentí-lo novamente. Ter Hardin seria uma forma de poupar Tessa e talvez até Hardin de ter que enfrentar a dor de amar. Ela nunca o amou. Ele sustentava o semblante de que ela era atraente ao olhar de um homem e de que ela era forte: se precisasse descartar ele, ela também o faria. Como o fez. Não ficava só com ele. Ficava com outros para dar conta de decidir, como se controlasse o que sentia. E quando enfrenta o amor ao defender Tessa, ela volta a amar e possibilita-se a ter um novo relacionamento amoroso, poupando Hessa de suas provocações.

Molly é forte, provocativa, atraente, inteligente. É do tipo de personalidade que se adquire ao longo da vida, de uma casca grossa trazida com a dor. E para mim, Molly traz duas mensagens importantíssimas na obra de Anna Todd: a de que é possível seguir em frente e a de que defesa alguma é capaz de apagar um passado. É preciso ser forte, pois não há armadura física suficiente para afastar-lhe das dores que já viveu. É preciso enfrentar o outro não pela autodefesa, mas por quem ela é de verdade. É isso que ela revela a Tessa e aos amigos: quem ela sempre foi e quem jamais gostaria de ser novamente.

Sobre a autora

Jornalista por profissão há dez anos e psicóloga há três. Pesquisadora da área de Psicanálise e Cultura Digital, atua na clínica com jovens e adolescentes. No seu aniversário de 31 anos ganhou o livro After de uns amigos psicanalistas. Em um mês já tinha lido a série completa. E agora é só o Depois.

Matéria publicada por: Cínthia Demaria

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Dentre as dicas de temas para os textos que vocês me enviam, sempre tem alguém para sugerir Zed e o seu comportamento. Pois bem, chegou a hora de falar sobre ele.

Detalhar as características deste personagem passa, necessariamente, pelo relacionamento dele com Hardin e Tessa. Assim como Steph, Zed assume um papel crucial de antagonismo ao amor romântico da trama de Anna Todd. Em todo romance (real ou ficção) vão existir personagens externos à relação para fazer existir aquele casal. Só é possível conhecer uma pessoa e se relacionar com ela se ambos forem expostos à situações externas (sendo boas ou não), para conhecermos como o(a) parceiro(a) lida com aquilo. E Zed tem claramente essa função: revelar como Hardin seria capaz de lidar com os sentimentos “novos”, quando descobre pela primeira vez o amor; e também Tessa, que se vê pela primeira vez livre de padrões que seguiu a vida inteira.

Zed marca um novo para os dois personagens principais. Hardin se revela ciumento (e às vezes possessivo) na presença de Zed. Tessa se revela empoderada quando se dá ao direito de conversar com ele independente de quem a proíba. Ela deixa os valores dominantes da mãe para trás e mostra claramente para Hardin que não voltará a ser submissa a ordens que não concorda, através de Zed. Em suma, esse é o papel dele em After.

Todavia, olhando para a personalidade dele, de forma isolada, vemos um personagem imaturo, a princípio. A atitude de manter a aposta é dos dois e não tê-la revelado para Tessa é tão “grave” quanto foi para Hardin. Se queria conquistar Tessa, ele tinha o jogo na mão, mas preferiu ficar na posição que estava, talvez porque nunca a amou de verdade. Diferente de Hardin, Zed não foi obrigado a lidar com a imaturidade ao preço de perder o que mais lhe importava no mundo. Zed experimenta o desafio pelo jogo, pela disputa fálica e pela mostração aos amigos, no processo de identificação ao grupo. É isso que estava em jogo pra ele, não Tessa, necessariamente. Ele estava em busca de marcar a sua posição frente ao outro, que iria nomeá-lo como vencedor ou perdedor. E apenas isso.

Por outro lado, quando oferece apoio à Tessa, ele parece se esquecer da aposta. Quando ele começa a se aproximar dela, a sensação que fica é que ele passa a querer protegê-la da posse de Hardin. Ele não forçou conquistá-la para ganhar a aposta em nenhum momento. Ele forçou o confronto com Hardin para revelar à Tessa quem ele poderia ser quando estava com raiva. E é nesse momento que ele passa a ser alguém mais maduro. Ele sempre a protegia a troco de muito pouco. Ele sabia que o amor dela não era por ele. Ele tenta se aproximar quando os dois estão separados, porque de fato começou a despertar um interesse do flerte (não necessariamente do amor), mas ele sabia o seu lugar e os seus limites, tanto que quando Tessa se coloca para ele, ele questiona a ela sobre o que estava fazendo, se era realmente o que queria.

Ao meu ver, Zed só se revela vilão no dia do enterro do pai de Tessa, onde força uma situação contrária ao casal, com intuito de mantê-los separados em um momento tão delicado para ela. E isso basta para Tessa e Anna Todd deletá-lo do contexto. Enquanto não foi um vilão, ele foi um personagem chave na história, que fez os protagonistas crescerem. Quando se revelou mais fraco agindo de má fé, perdeu totalmente a razão.

Portanto, diferente de Hardin, Zed é um personagem que cresce, mas não termina bem. Ela distancia-se da aposta, mas aproxima-se de sua queda quando se dá conta que jamais terá Tessa. E ao contrário de Trevor (que de certa forma vai assumir esse papel na história), Zed declina e se mostra um vilão exatamente no momento mais sensível da história de Tessa, onde ele nem precisaria entrar em confronto direto com Hardin.

Enquanto depertou um Hardin que Tessa precisaria descobrir, Zed perdeu-se no seu objetivo, que até então ia bem. Algumas páginas extras pra gente descobrir o passado de Zed em Before poderiam nos ajudar a explicar bem porque ele fez essa escolha. Das suas emoções não sabemos muito, mas das nossas sempre que ele é incluído entre Hessa, não temos dúvidas de que são fortes.

Sobre a autora

Jornalista por profissão há dez anos e psicóloga há três. Pesquisadora da área de Psicanálise e Cultura Digital, atua na clínica com jovens e adolescentes. No seu aniversário de 31 anos ganhou o livro After de uns amigos psicanalistas. Em um mês já tinha lido a série completa. E agora é só o Depois.

Matéria publicada por: Douglas Vasquez

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Foi exatamente esta pergunta que chegou para mim pelas Redes Sociais e não foi a primeira vez que a vi. Percebo este questionamento com frequência na minha página e em várias outras que acompanho de After

E de fato é um questionamento bem pertinente à narrativa. E ele não é por um acaso. E nem foi uma ‘falha’ da obra. Muito pelo contrário. Quando Anna discorre detalhadamente sobre Hessa e caminha para o clímax do final do primeiro livro, começamos a perceber a fraqueza de Hardin. Quando o amor para além de si entra em cena, ele não sabe o que fazer.

Mas afinal, porque ele mantém este segredo da amada?

Hardin nunca se importou com nada, até conhecer Tessa. Já disse em vários textos que After na verdade é sobre ele, sobre toda a mudança que ele tem que enfrentar quando a encontra. Entretanto, não há escolha sem perda, nem ‘milagres’. Mudar de hábitos não é uma tarefa fácil e os dois personagens estão aí para nos provar isso. Pra Hardin, encarar questões que ele sempre preferiu “deixar para lá” trouxe um preço que só ele poderia pagar.  

Manter o jogo era uma forma de manter segredo sobre o seu amor e sobre a sua fragilidade frente à ele – tanto que ele nem conta aos amigos que ele e Tessa estão morando juntos. Continuar com a aposta não foi uma forma de machucar Tessa, mas de não se machucar. Ele ainda não sabia lidar com esse outro. Se no momento da aposta ele não se importava com nada (nem mesmo com a opinião dos amigos), depois de Tessa, a opinião deles passou a importar muito, pois ele temia saber o que eles pensavam, o que iriam achar dele e até o que poderiam fazer a ele e a amada.

Hardin é um personagem tão real, que é como muitas pessoas, que tentam fazer as coisas certas, mas pelas piores maneiras possíveis. Ao meu ver, ele manteve a aposta por total insegurança, por não saber o que esperar disso, dos amigos, e principalmente, por Tessa. Naquele momento a maior fragilidade dele era perdê-la. Nunca acreditei que a intenção dele foi continuar com a aposta. A realidade é que ele não soube lidar com isso e não fazia ideia de como “se livrar” dessa situação. Aí encontra os amigos um dia antes da revelação, age pela agressividade, magoa Tessa não dormindo em casa e não resolve nada. Perde tudo. Tenta resolver as coisas com boa intenção, mas não sabe fazê-lo. A aposta foi um ótimo momento para revelar Hardin: alguém capaz de amar e se importar, mas sem habilidade alguma para lidar com isso.

Manter a aposta não foi uma opção, mas a falta de uma alternativa que ele pudesse suportar.

E o que faz o sujeito manter estas escolhas? Em outros textos já discuti sobre a neurose obsessiva, termo criado por Sigmund Freud para dizer sobre uma estrutura psíquica que produz sofrimento e aponta para os impasses do sujeito com o seu desejo inconsciente. É comum do sujeito neurótico obsessivo não querer abrir mão de suas escolhas, ele tenta preencher tudo e não deixar faltar nada. Quando perde algo, sofre. É aquele tipo de pessoa que vai ao cinema com a namorada e sempre deixa ela escolher o filme, com medo de faltar algo a ela, mesmo que não seja o filme que ele queria ver de verdade, sabe?

Revelar ou não a aposta, para Hardin, seria perder alguma coisa: ou Tessa ou os seus amigos ou a si mesmo. Era um momento de escolha, que necessariamente implicaria em uma perda. E isso é um ponto de sofrimento para o obsessivo, pois quando ele não se decide, ele acaba perdendo do mesmo jeito.

Complexo, né? Enquanto escrevia este texto me peguei no trocadilho do nome de Hardin, que é Hard (difícil em inglês) + In (dentro), como exatamente o conhecemos: difícil por dentro.

É claro que este texto não pretende diminuir o sofrimento de Tessa frente à esta situação. Todos sabemos que ela foi a vítima da aposta. O intuito aqui é compreender porque Hardin fez o que fez. Em outro momento podemos discutir os impactos deste trauma para ela. Sem dúvida renderia muitas conclusões, a começar da que é a partir daí, que ela passa a ser mais forte.

Sobre a autora

Jornalista por profissão há dez anos e psicóloga há três. Pesquisadora da área de Psicanálise e Cultura Digital, atua na clínica com jovens e adolescentes. No seu aniversário de 31 anos ganhou o livro After de uns amigos psicanalistas. Em um mês já tinha lido a série completa. E agora é só o Depois.

Matéria publicada por: Cínthia Demaria

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Ok, vamos falar do filme. Nos últimos dois textos tratei sobre a expectativa e agora é hora da realidade. Recebi vários links no meu perfil no Instagram (@afternodiva) de fãs entristecidas com a opinião negativa de alguns veículos e de outras pessoas do fandom criticando a adaptação de After para o cinema. Por outro lado, opiniões positivas também não faltaram. Procurei ler todas elas, ver vários vídeos no YouTube sobre o assunto e até ler resenhas de críticos do cinema para escrever esse texto.

Antes de mais nada, eu queria deixar dois pontos acertados com vocês antes que continuem esta leitura:

  1. Este texto é para quem leu o livro e assistiu ao filme. As pessoas que acompanham esta coluna já são leitores de After, então é pra este público que vou falar. Ou seja, vou tratar da adaptação da obra para o cinema, e não do filme em si. Não me cabe julgar aspectos do cinema (como cortes, transições etc), nem sobre a impressão de pessoas que só viram o filme e tiveram contato com a obra pela primeira vez por meio desta mídia.
  2. Precisamos respeitar todas as opiniões. São diferentes, e lembra que eu disse no último texto que poderia frustrar mesmo? Pois é. Cada um tem a sua percepção. Tem gente que ama o livro e não gosta do filme. Tem gente que lê o livro e não gosta nem dele. E tudo bem, ninguém é obrigado a nada. Desde o princípio eu falo que só não pode haver desrespeito. Coloque-se, opine e vá lá na página da Anna Todd se posicionar se não tiver ficado satisfeito com o filme, mas faça isso de forma respeitosa e construtiva. A opinião diferente não faz da sua a melhor, e você perde toda a razão quando o ódio fala por você. Sejamos tolerantes.

Pois bem. Tratado isso, vou compartilhar aqui com vocês A MINHA opinião, com base em tudo o que li, vi e ouvi. Não é porque sou profissional da psicologia que faz análise dos personagens que sou a dona da verdade. Deus me livre desse posto. O dia em que eu me fechar para a verdade, eu nunca mais vou aprender nada nem me relacionar com os outros.

Para mim, o filme foi uma experiência bem bacana. Falei nos meus Stories do Instagram sobre a minha felicidade ao ver os personagens ganhando vida, e algumas frases “saindo do papel”. Mais do que a atuação de Hero e Jo (que sim, foram ótimas), a grande “graça” pra mim foi ver alguns detalhes do livro, algumas frases postas lá, que remetiam à história original, como quando Tessa tampa o nariz para mergulhar no lago; o vestido e a sapatilha idênticos ao descrito no livro etc. Essas lembranças me fizeram feliz. As cenas não foram exatamente as do livro, mas todos os elementos estavam lá. 

Como é um filme que ainda não se sabe se vai ter continuação, outros detalhes achei interessante terem sido postos agora, como o Hardin escrever a história deles de alguma forma e ele já deixar claro que era possível amá-la.

Alguns pontos chave eu vejo que vocês sentiram falta, como o conflito com Zed, a questão (importantíssima) de Hardin com o pai e os pesadelos. Sim, faltou, mas de tudo o que eu li, tirei uma conclusão sobre isso. Se esses dilemas tivessem sido abordados, não haveria tempo para finalizá-los em um único filme. São questões densas, que vão se resolver muito mais pra frente, e que PRECISARIAM de um tempo bom pra explicar. Ao meu ver, seria necessário mais de uma hora e meia só pra explicar os pesadelos, por exemplo, senão seria eu a achar o filme ruim. Tem questões que precisam de tempo, pra não cair no erro de banalizar o tema ou de deixar de dar a importância que ele merece. Portanto, senti falta, mas pra mim é ok não terem sido tratados neste primeiro filme.

Por outro lado – e pelo que eu li de várias criticas, concordo que algumas adaptações não comprometeriam o tempo do filme, tal como uma Carol mais severa e mais preocupada com a aparência, como é no livro; um Zed mais atento à Tessa (porque não ficou claro no filme que ele era afim dela como Molly com Hardin); uma Tessa mais organizada e por aí vai. De qualquer forma, são detalhes que recolhi de vocês e concordo, mas não acho que comprometeriam demais o filme, mas que de fato poderiam agradar mais aos fãs que leram o livro.

Entretanto, o meu grande ponto com o filme é o que me prendeu 100% ao livro: quem é Hardin Scott. Ao meu ver, o que segura o leitor em todas as páginas é procurar decifrar quem é este homem intenso, capaz de proporcionar picos de prazer, e que ao mesmo tempo é tão misterioso. Por que ele simplesmente não consegue viver um romance tranquilo com Tessa? Por que ele estraga tudo? E porque não conseguimos odiá-lo e nos entregamos a ele tal qual Tessa faz em todos os retornos? Particularmente, é o semblante do mistério indecifrável que mantém a leitura viciante. Quem é esta pessoa? E o filme pecou em entregar de bandeja um Hardin totalmente decifrável e entregue ao amor. O grande ponto que trabalho nas análises é justamente a questão de um cara que ama e não sabe lidar com isso, mas encontra uma pessoa que vai colocá-lo a trabalho se quiser tê-la por perto. Essa é a força de Tessa e a fraqueza de Hardin. E isso daria tempo de fazer (claro que sem se alongar em muitos detalhes), até porque Tessa já está muito mais empoderada no filme.

Não acho que deveria ter necessariamente todos os conflitos, pois era preciso deixar claro em pouco tempo que eles se amavam muito, mas ver Hardin enfrentando a si mesmo em nome do amor deixaria a narrativa bem mais interessante, na minha opinião. E ver Tessa enfrentando essa intensidade sem saber quem é esse cara, mas que não podia mais ficar longe dele, sem dúvida daria outro tom, e acho até que justificaria mais a aposta.

Mesmo assim, as adaptações da aposta e de contexto foram muito bem colocadas. Achei muito sábia a decisão de adequar alguns pontos que foram alvo de crítica pra Anna no passado. E isso não incomodou. A aposta mudou, mas tudo bem, passou a mensagem de que Hardin decepciona Tessa fortemente. Temos que entender que é uma adaptação e o espectador não necessariamente leu todos os livros pra entender todo o lado do Hardin, então se tivesse seguido à risca a ideia da virgindade, poderia rechaçar o personagem sem dar uma segunda chance – que é o que segundo livro faz.

Resumindo, acho que ter a chance de ver o filme de um livro que você amou ler é uma grande oportunidade. Não deixe isso passar pelas críticas. Vá lá e tire a sua conclusão, você merece isso. Particularmente fiquei muito feliz por essa oportunidade e adorei mesmo estar na sala do cinema por diversas vezes para assistir ao filme e estou torcendo muito por uma continuação! Ver o cuidado da Anna com os fãs e a felicidade dela ao dar forma para a história que ela escreveu conta muito. Esse carinho deixa a experiência ainda mais singular. Posicione-se de maneira sábia e construtiva sobre isso. Comentei no meu Instagram que se um filme te proporciona expressar sentimentos (sejam eles quais forem), ele então vale a pena. 

Ah, e antes de finalizar, a todos que me perguntam sobre as análises, elas continuarão, e serão baseadas nos personagens dos livros, como sempre foram. Na semana que vem, inclusive, vou discorrer sobre uma pergunta que me fizeram no Instagram @afternodiva: “Por que Hardin permanece com a aposta mesmo tendo descoberto que já amava Tessa?”. Palpitem e aguardem!

Sobre a autora

Jornalista por profissão há dez anos e psicóloga há três. Pesquisadora da área de Psicanálise e Cultura Digital, atua na clínica com jovens e adolescentes. No seu aniversário de 31 anos ganhou o livro After de uns amigos psicanalistas. Em um mês já tinha lido a série completa. E agora é só o Depois.

Matéria publicada por: Cínthia Demaria

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Alerta de Spoiler! Se você não leu todos os livros da série, não deve ler este texto.

Expectativa. Ansiedade. Consciência de que não será como o livro. ‘Infarto’. Que atire a primeira pedra o fã de After que não se identifica com essas palavras para esta semana de lançamento do filme. Algumas pessoas já tiveram a chance de assistir a adaptação dos livros de Anna Todd nas telonas, mas a grande maioria não vê a hora de sentar na cadeira do cinema e se emocionar.

Tudo pronto. Tour finalizada, elenco aclamado, trilha sonora no Spotify e expectativas expostas a cada novo post publicado nas redes sociais. Tem gente que espera por isso desde os livros do Wattpad. Fandom, esse momento é seu.

Dentre as respostas que mais apareceram no Instagram @afternodiva quando perguntei sobre as expectativas, algumas me chamaram mais atenção: “já entendo que não será como o livro” e “tenho confiança porque Anna estava lá”. Discuti no último texto que as mudanças no contexto são inevitáveis. Livro e filme são mídias diferentes. Porém, a essência é a mesma. A história também, só que contada de uma forma diferente.

Desde que anunciaram o elenco as fantasias mudaram de posição. A expectativa não é mais Hardin, mas Hero. Sorte de quem leu o livro primeiro e teve a chance de criar o seu próprio personagem. Depois do filme, nada será a mesma coisa. A edição Tie-in francesa ainda trouxe imagens dentro das páginas. E ficou lindo. Por outro lado, penso que é uma pena o leitor não poder criar o seu próprio universo – apesar da imagem de Hero e Jo já estar disponibilizada nos quatro cantos da internet.

O psicanalista Jacques Lacan discute bem a amarração dos três registros real, simbólico e imaginário. A idealização e a criação imaginária lida nos livros vão ganhar forma pelo simbólico do cinema (um outro exterior à sua criação), mas o real jamais será alcançado. Não há representação que dê conta de alcançar a satisfação absoluta. Nem mesmo o livro. Vai dizer que Hardin é perfeito o tempo todo? Ele fura a satisfação absoluta de Tessa e a que o leitor espera. Assim é com a gente, o tempo inteiro. Sabe quando você deseja muito alguma coisa e quando consegue ainda vê que está faltando, que aquilo não é exatamente tudo o que você esperava? É por aí. Pelo filme a gente consegue nomear isso de forma mais fácil, pois é exterior, é a nominação de um outro. É mais fácil nomear o furo e a frustração com a representação de um outro. Com a gente é até difícil localizar o que falta – como é o caso das angústias que não conseguimos explicar.

Ainda sobre a expectativa do filme, algumas pessoas disseram ter medo de se decepcionar. E isso inevitavelmente vai acontecer. Vai faltar, gente. Vai faltar cena, expressões, falas, e principalmente, o seu universo. Vai faltar. O espectador é a outra ponta do cinema. Um filme só é um filme porque há alguém para interpretar. E isso fecha o ciclo da produção. Se você leu o livro, vai sentir falta de alguma coisa no filme. Mas não é por isso que não será uma experiência incrível, diferente da sua.

O recado que quero transmitir com este texto é: o filme não vai destruir a sua versão do livro. São dois momentos distintos: a versão de um e a sua versão – que provavelmente é a melhor para você. E ela você já tem. E sempre vai ter. O que você vai fazer no cinema nos próximos dias é ver como outra pessoa fez a leitura de Anna Todd e adaptou para o cinema, com todas as nuances de tempo, narrativa, roteiro etc.

Essa chance é sua. Desfrute. Não espere ver você no cinema. Espere se surpreender com a visão de um outro que vai somar à sua. Não é porque são diferentes que vão se diminuir. Se você se permitir enxergar, vai perceber que, somadas as duas versões, a sua experiência com After pode ser ainda mais incrível. 😉

Bom filme pra vocês!




Nome: After Brasil / Anna Todd Brasil
Online desde: 19 de Junho de 2014
URL: afterbr.com / annatodd.com.br
Webmaster: Douglas Vasquez
Contato: contato@afterbr.com
Versão: 4.0

O After Brasil é a maior fonte sobre a série no Brasil e no mundo; oficializado por Anna Todd e as editoras e distribuidoras parceiras. Todo o conteúdo do site (fotos, notícias, vídeos e etc) pertencem ao site a não ser que seja informado o contrário. Este site foi criado por fãs e para os fãs e não possui nenhum tipo de fins lucrativos.
com

AFTER
Status: Disponível
Direção: Jenny Gage
Roteiro: Susan McMartin

AFTER: Depois da Verdade
Status: Pós-produção
Direção: Roger Kumble
Roteiro: Anna Todd

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