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FASHIONISTA: Como comprar como a estrela do de After e do Youtube, Inanna Sarkis!
POSTADO POR Douglas Vasquez EM 28.Jun ARQUIVADO EM:Inanna

Fawnia Soo Hoo para a Fashionista

A atriz, diretora, escritora e cantora dá algumas dicas sobre sua próxima linha de roupas “Hypebeast-y”, mas “não é merchandise”.

Todos nós compramos roupas, mas não há duas pessoas comprando o mesmo. Pode ser uma experiência social e profundamente pessoal; às vezes, pode ser impulsivo e divertido, em outras, orientado por objetivos, uma tarefa árdua. Onde você compra? Quando você compra? Como você decide o que precisa, quanto gastar e o que é “você”? Estas são algumas das perguntas que estamos colocando em figuras proeminentes em nossa coluna “Como eu compro”.

Inanna Sarkis inclui atriz, roteirista, diretora, produtora e cantora como marcadores para o seu título multi-hifenizado – e ela não esperou que tudo acontecesse com ela. Criada no Canadá e nascida em Los Angeles, ela criou seu próprio caminho colocando seus próprios filmes e vídeos curtos no YouTube – onde ela tem mais de 3,3 milhões de inscritos e crescendo – para se tornar uma das poucas a entrar na tradicional Hollywood.

Ela recentemente co-estrelou a fan-fic de Harry Styles e o filme “Cinquenta Tons de Cinza”, “After“, ao lado de Josephine Langford (irmã de Katherine), Pia Mia, Selma Blair e Peter “Sandy Cohen” Gallagher. “Eu sou tipo o vilão fodão”, diz Sarkis, por telefone, sobre sua personagem, Molly.

Seus quase 9,4 milhões de seguidores do Instagram rastreiam e se envolvem obsessivamente com seu feed, apresentando seu streetwear de dia, glamour do tapete vermelho no estilo pessoal da noite – que também cruzou a tela grande. “O cabelo de Molly é rosa, então foi super divertido e divertido de se trabalhar”, diz Sarkis. “Eu fiz spacer buns para uma selfie e no dia seguinte [os tomadores de decisões do filme] disseram, ‘Eu gostei de como isso ficou, então vamos fazer isso para uma cena.'”

Entre preparar novos conteúdos para todos os seus próprios canais e se preparar para as aparições no tapete vermelho de “After” (juntamente com uma série de outros eventos de Hollywood), Sarkis falou ao telefone com Fashionista para discutir sua obsessão por tênis, os melhores pontos para personalizar denim vintage em Los Angeles e sua próxima linha de roupas, que representa sua ética de trabalho.

“Definitivamente, me interessei mais por moda. Estou estilizando mais a mim mesma. Quando comecei a fazer vários vídeos no YouTube, sinto que não me importava – só usava o que quer que fosse. ‘ tem no meu armário? Vou usar isso. Eu não pensava em me nomear, estava fazendo muitas coisas: estava dirigindo, estava escrevendo, produzia, estava atuando, estava no PA.

Moda era a última coisa em minha mente. Mas quanto mais eu estava trabalhando na indústria, fazendo filmes e indo a eventos, eu ficava tipo, ‘ah, merda, o estilo faz a sua imagem’, e isso apenas ajuda você como pessoa. Então, as coisas que eu tenho filmado ultimamente, tenho me focado em obter uma pessoa ‘glam’ e descobrir o cabelo, a maquiagem e a roupa que trazem à tona o personagem.

Meu estilo é definitivamente ‘tomboy’. Porque eu moro no Vale, se eu não tiver que me vestir, não vou me arrumar. Eu realmente não uso maquiagem e tenho meu cabelo em um coque – essa é a minha escolha. Eu não quero passar 10 horas me preparando para tomar um café, sabe? Eu amo jeans tipo boyfriend. Meu dia-a-dia é mais ou menos assim: tops e jeans muito casuais, estilo boyfriend e meio sexy. Se eu sair, vou usar jeans apertados, de cintura alta ou um vestido fofo. Eu até adoro fazer vestidos diurnos com runners. Eu amo blazers com runners. Adoro o contraste de misturar peças sofisticadas e cotidianas.

Obviamente, eu tenho os tênis Balenciaga, mas eu sinto que eles estão exagerados agora. Há aqueles outros robustos Balenciaga [Triple S] e aqueles Louis Vuitton Archlights, com aquela estranha curva no sapato. Eu os amo porque você pode vesti-los. Eu os usei ontem com um vestido para um evento noturno. Eles são tão versáteis e você pode tirar o máximo proveito deles. Então, obviamente, eu amo um bom par de Vans. Eu tenho, tipo, 20. Eles são tão acessíveis. Você nunca erra com um Vans branco limpo e eu amo os de plataforma, também, porque eu sou baixinha. Eu gosto dos meus sapatos com alguma altura.

Eu não gosto de fazer compras se estou procurando por algo, porque nunca vou encontrá-lo. Eu sou essa pessoa. Se eu estou andando e vejo algo, vou pegar. Eu não amo muito as compras on-line, porque tenho que experimentar as coisas, especialmente jeans. Esqueça isso. Eu nunca encontrarei o par certo online. Mas se são sapatos, acessórios, tops de coisas, eu faço tudo isso online.

Meu encontrado favorito é a minha jaqueta de couro Mackage que eu comprei há algum tempo em Toronto. Eu só tropecei no shopping. Eu tenho isso por provavelmente oito anos e fica melhor com o tempo. Foi como uma compra de US $ 700 e, na época, eu estava tipo, ‘Oh meu Deus, eu não vou comprar uma jaqueta de US $ 700. Eu não posso pagar isso, mas eu realmente quero essa jaqueta. Isso foi muito e eu ainda estava na faculdade, mas se encaixava perfeitamente. Eu entendi e não me arrependi. Eu pensei que iria, mas não fiz. Eu não encontrei outro bom.

Adoro fazer compras em Melrose. Há o mercado Melrose Trading Post no domingo. É super bom. Eu fui lá quando me mudei para L.A. e comprei dois pares de calções da Levi e um par de jeans que eu tenho há anos – eles só têm as lágrimas perfeitas neles. Eles também vão rasgá-los e “vintage” mais para você. Eles têm camisetas simples e camisetas de roqueiro, e novamente, eles podem bagunçar mais, dependendo de como você quiser. Esse é o privilégio. Você não pode ir a um shopping e ficar tipo: ‘Ei, você pode afligir um pouco este tee?’

Eu tenho essa camiseta ‘Space Jam’. Ela cortou, cortou e desgastou completamente as costas e foi tão legal. É apenas uma coisa divertida para fazer em um domingo com seus amigos. Eles até têm aquelas jaquetas de corrida da Nascar; Eu tenho o tamanho de uma criança e é apenas a mais fofa. Esqueça o casaco dos homens, eu quero o do garoto. É mais pela experiência, eu nunca vou realmente tentar encontrar algo.

Eu tenho tomado meu tempo e criando minha própria linha. [Eu tenho trabalhado nisso por um tempo agora, porque eu acabei de ter essa forte opinião sobre não torná-lo merch. Eu só não quero fazer isso porque eu não compraria merch, então por que eu teria meus fãs comprando isso? Eu sinto que todo mundo está pegando o caminho mais fácil e apenas dizendo ‘ah, apenas bata nele’, e eu não queria fazer isso.

Definitivamente é mais uma coisa estilo HYPEBEAST-Y , estilo de rua. Vai ser MOLETOM e t-shirts e coisas assim. É definitivamente sobre conforto e eu quero tê-lo para que você possa balançar com tênis, mas também saltos. Vai ser unissex também – sem associação de gênero. Eu sempre pego emprestado as roupas do meu namorado.

Eu mudei o nome algumas vezes, mas agora estamos finalmente, esperançosamente, indo para este: Visus, que significa visão em latim. Basicamente, ele representará todo o estilo de vida do que você acredita, o que você imagina e o que você pode criar. Eu sou apenas uma crente forte disso. Quando me mudei para o L.A., não tinha nada. Tudo o que eu tinha era uma visão para mim e foi nisso que eu fiquei. Sua visão é toda sua, e se você tiver visão de túnel, basicamente conseguirá o que quiser.”

Tradução por After Brasil.

After No Divã #21 | O que a escolha profissional diz sobre Tessa?
POSTADO POR Cínthia Demaria EM 27.Jun ARQUIVADO EM:Colunas

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Um dos momentos mais complexos da vida é aquele em que o sujeito precisa decidir-se sobre qual será a sua ocupação na maior parte do tempo ao longo dos anos. O trabalho é talvez um dos ciclos sociais mais fundamentais da humanidade, pois garante subsistência, traz a noção de ‘sentido’ e ‘utilidade’ no mundo e contribui até para o pertencimento social. Seja qual for o ramo, sempre vai haver uma parceria, nem que seja com um cliente.

A escolha profissional diz sobre quem você gostaria de ser, com o que gostaria de trabalhar, mas diz muito mais, diz sobre quem você é. Não há escolha sem razão. A bem da verdade é que esta dúvida não é só por uma fase. Muita gente se redescobre ao longo da vida e de repente decide trilhar novos rumos. E tudo bem. A vida é de quem a vive e passar a maior parte do tempo trabalhando com o que não gosta é a maior bobagem. O trabalho é sustento, sobrevivência, mas não deve ser necessariamente árduo, muito pelo contrário.

Pelo visto a protagonista de After entendeu bem esse recado. Mas afinal, o que a escolha da profissão encabeçada pelo destino universitário tem a nos dizer sobre Tessa?

A personagem do livro (que é quem essas análises levam em conta) decide estudar Letras (Inglês, nos EUA). Uma profissão criativa, sensitiva, compromissada com uma história. E não se parecem com Tessa essas características?

Pelo visto ela já amava a história de amores improváveis/impossíveis – dadas as principais referências citadas em After. Dentre as obras que ela mais discute com Hardin estão aquelas em que ela se enxerga, que consegue se defender e se identificar. Vale lembrar que é por via do livro (e por suas paixões literárias) que ela cria o primeiro laço de admiração por Hardin, que é coincidentemente, a primeira vez em que o pré julgamento dela com alguém também cai. Tessa fica surpresa ao descobrir que aqueles livros que viu em um quarto durante uma festa era do garoto que a havia chamado a sua atenção (de forma negativa) mais cedo. Junto com a surpresa, o primeiro ponto de aproximação com o (futuro) amante. Essa é também uma das primeiras vezes em que ele aparecerá como um mistério pra ela, e que a partir daí, ela se verá tentada a investigar.

Desde o primeiro dia de aula Tessa parece estar determinada e escrever uma outra história. O contato com o livro dá liberdade a isso, a de a cada dia, poder viver uma aventura diferente. Trabalhar com isso é
uma tarefa complexa pro sujeito: é preciso se ver e se reinventar ali. É dizer sobre uma escrita de si para o outro, assim como Hardin o faz quando publica os seus livros.

A escrita faz uma borda para o sujeito que o nomeia. A função da escrita é alcançar o que está fora de alcance. É criar um nome, uma ficção de si, um enquadramento a um sintoma. Cada qual tem um objetivo diferente quando escolhe uma profissão (vejam por Tessa e Hardin), mas há um ponto pela letra e pela história, que os dois se identificam.

Como toda profissão, esta requer muita dedicação. É impossível ler uma história e não “se ler” ali. Já disse algumas vezes que a discussão com haters é na maioria das vezes desnecessária, pois cada um lê a história a partir do seu próprio repertório.

Quando sai de casa para estudar este curso Tessa sai determinada a ser autora da sua própria história, até então nos livros. E é aí que está o pulo do gato: apesar disso, ela decide seguir outra profissão, a de organizar casamentos.

A nova escolha a incentiva a viver para além da teoria de sua própria escrita, mas vai viver na prática o novo, o impossível, o que ninguém jamais imaginaria que ela fosse fazer. Após ajudar com o casamento de Landon, Tessa encontra-se perfeitamente naquela função. É quase como se ela optasse por viver “organizando a felicidade”, lidando o tempo inteiro com o improvável e realizando sonhos. Mal sabia ela que ajudar a realizar os sonhos dos outros ela estava na verdade realizando-se.

Tessa sai dos livros sem sair das histórias de amor. Ela sai da teoria e vai pra prática. Uma profissão inclusive complementa muito a outra. O que se faz em Letras senão construir boas narrativas? E quando faz isso, cria oficialmente a sua assinatura no mundo. Ela é útil assim, se vê feliz assim e direciona oficialmente o seu desejo de final feliz para uma atividade laboral. 

Isso é a escolha profissional: como você quer ser reconhecida(o) pelo outro, a partir do que você mais ama fazer na vida. Considero o tempo para decidir isso muito pouco, se fixarmos aos prazos de escolas e universidades. O que vale é o prazo da vida. A direção é você quem dá. Passa pela borda que você quer dar ao gozo que você compartilha com o mundo. E cada um faz o seu sentido. 

Hardin endereça a sua história a alguém e faz um uso da profissão completamente diferente do que Tessa faz. Ele constitui-se no mundo e sobre o novo ser humano que passa a ser a partir da sua escrita. Já ela, utiliza dos seus traços de organização, com o desejo de juntar finais felizes, independente do caminho que aquelas pessoas tenham percorrido até o casamento. É nesta nova profissão que Tessa deixa cair oficialmente todos os seus preconceitos, porque seja qual for a história de amor, ela estava disposta a contar para o mundo.

As escolhas profissionais de Tessa, no fim das contas, revelam alguém que ela passou a ser, capaz de mudar, de assumir novos amores e bancar decisões que jamais imaginaria, sem perder a sua essência pela organização e pelo apreço a um bom romance. O que vemos ao final, é uma mulher capaz de destinar a sua pulsão pela vida por via de um amor real, em consonância a um trabalho que a dignificava.

Sobre a autora

Jornalista por profissão há dez anos e psicóloga há três. Pesquisadora da área de Psicanálise e Cultura Digital, atua na clínica com jovens e adolescentes. No seu aniversário de 31 anos ganhou o livro After de uns amigos psicanalistas. Em um mês já tinha lido a série completa. E agora é só o Depois.

After, o filme, está disponível em formato Digital!
POSTADO POR Douglas Vasquez EM 26.Jun ARQUIVADO EM:Cinema

Há poucas semanas do lançamento do DVD e Blu-Ray, a versão digital do filme é lançada nos Estados Unidos através da Amazon Prime, Apple TV e iTunes, com cenas deletadas como conteúdo bônus.

Para o Brasil, o filme não chegará em DVD e não tem previsão de distribuição digital, segundo a Diamond Films Brasil. A aposta é que o filme fique disponível na Amazon Prime Video e Google Filmes/Youtube Filmes, de forma paga, já que este é o padrão de distribuição digital dos filmes sob os direitos da distribuidora.

Você confere as cenas deletadas abaixo:

Assista ao filme completo:

Também disponível neste link, com legendas em português.

E mais de 5 mil capturas em HD em nossa Galeria de Fotos, clicando aqui.


Caso você esteja fora do país e tem a possibilidade de adquirir o filme: Amazon, iTunes (com extras) e Google Filmes.

After será distribuído pela Netflix apenas nos países europeus.

Billboard: Pia Mia lança single de verão inspirado em sua ilha, ouça CRYBABY
POSTADO POR Douglas Vasquez EM 21.Jun ARQUIVADO EM:Música Pia Mia

Por Evan Real para a Billboard

A estrela pop lançou/soltou na noite de quinta-feira (20 de junho) “Crybaby”, um brilhante e arejado single de verão e com o rapper Theron Theron. A música – produzida por ‘The Futuristics’ ((o mesmo de) Camila Cabello, Halsey) – usa uma uma exploração otimista da reputação de Pia, junto com seus diferentes lados como artista.

Com vocais cristalinos, a cantora de 22 anos canta: “Eles dizem que eu sou perfeita, eu acho que não sou / Eles dizem que eu sou gângster, eles dizem que eu sou pop / Eles dizem que eu estou tentando ser algo que eu não sou / Uma coisa que eu sei é que eles dizem muito.” Mais tarde ela canta: “Eu apenas fui mal interpretada / estou aqui fazendo o melhor que pude”.

Com uma afinidade por vários gêneros musicais, Pia construiu todo tipo de música – desde r&b, clubes de sucesso como o “Do It Again”, de 2015 e até “Bitter Love”, a “dreamy ballad” que ela lançou na primavera como o hino oficial de “After”, o qual ela fez sua estréia no cinema. Adicionando a sua discografia eclética, “Crybaby” em si é uma batida de verão inspirada pela educação de Pia em Guam.

Abaixo, Pia conversa com a Billboard sobre a criação de “Crybaby”, que marca seu último lançamento como artista independente desde que deixou a Interscope Records no final de 2017.

Billboard: Por que “Crybaby” parece a continuação perfeita de “Bitter Love”?

Pia Mia: “Crybaby” é uma continuação da minha jornada na vida, tanto pessoalmente como como músico. finalmente está começando a se sentir o verão e é a música perfeita para se dirigir em seu carro, se preparar para sair à noite ou apenas passar o fim de semana com os amigos. Isso faz você se sentir bem.

Como você descreveria seu processo colaborativo com o The Futuristics?

Eu escrevi essa música com Theron e nós tivemos uma produção leve. Uma vez que eu cortei, eu sabia onde eu queria que a produção fosse, então nós enviamos para algumas pessoas diferentes para mixar. Quando obtivemos as diferentes versões de produção, a versão do Futuristics me conectou mais!

Por que era imperativo apresentar Theron Theron nessa música?

Quando nós escrevemos originalmente essa música, Theron tinha um verso e eu amei a sensação da ilha que ele adicionou ao “Crybaby”. Eu sou de Guam e ele é de St. Thomas, então foi um ajuste natural.

Qual é a mensagem geral de “Crybaby?”

Para mim, é que todos nós vivemos em uma sociedade de julgamento e o resultado é que somos todos iguais, mas também queremos deixar a mensagem “Crybaby” aberta à interpretação dos ouvintes. Estou ansiosa para ver como todos se relacionam com isso.

Tradução por Letícia Collin para o After Brasil

After No Divã #20 | Landon e a trajetória de escolhas (nem sempre) certas
POSTADO POR Cínthia Demaria EM 20.Jun ARQUIVADO EM:Colunas

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Landon é um personagem querido, daqueles que todo mundo amaria ter por perto. É aquele amigo leal e gentil que nos faz dizer: “Que sorte a de Tessa! Talvez não teria suportado tudo o que viveu sem o apoio do melhor amigo”. Ter com quem contar muda as coisas e Landon sempre foi essa pessoa: pra Dakota, pra Tessa, para a mãe… Ler a história de Landon é muito interessante para fazer o contraponto à história de Hardin, e de como todas as escolhas, seja para o ser bad boy ou o good guy, atravessam, necessariamente, questões do passado.

Em Nothing More e Nothing Less, Anna nos dá detalhes da história desse personagem, em uma escolha muito sábia. Em entrevistas, a autora diz que sempre acreditou que Landon mereceria um destaque. Além de ser querido por todos, ele tem uma saída diferente dos protagonistas de After, porque enfrenta a vida com alternativas guiadas pelo amor e pela fé no outro. Não que o seu passado tenha sido brilhante, mas os meios que os trouxeram até a vida adulta foram muito diferentes.

É em Nova York que vamos conhecer de perto quem é Landon Gibson, para além do melhor amigo de Tessa e o (finalmente) conselheiro/meio irmão de Hardin. Enquanto a sua colega de apartamento divide o seu tempo em horas de trabalho e no seu relacionamento de idas e vindas com Hardin, Landon transparece para o leitor todas as suas inseguranças, medos, saudades da mãe e dificuldade para decidir o próprio caminho. Digamos que Landon se aproxima do leitor no momento em que é justo com todo mundo e se vê quase que de forma cômica, a lidar com as injustiças da vida, por não se sentir à vontade em defrontá-las.

Landon perde o pai muito cedo e conhece uma mãe amorosa. Ainda na infância, encontra Dakota, por quem se apaixona e se vê destinado a amar, principalmente depois de ter praticamente internalizado os traumas dela com o pai abusivo que tinha. Landon parece carregar o mundo nas costas e o trocadilho dos nomes dos livros “Nada mais” e “Nada menos” refletem bem a personalidade que ele sempre expressou para o outro.

Entre todo esse cuidado, entretanto, conhecemos um personagem que também erra. De tanto optar pelas “escolhas certinhas”, ele abdica de si mesmo e sofre até conseguir decidir-se por um amor que merecia. Em alguns momentos Landon lembra o controle que Tessa tinha consigo mesma nos primeiros capítulos de After. A vida cheia de pudor e reflexões sobre “O que o outro vai achar de mim?” o reprimiam sexualmente de se entregar aos seus próprios prazeres e deslanchar aos seus verdadeiros amores.

Nora é a personagem que aparecerá como a garota apaixonada por ele desde Washington, quando ele nem a nota, justamente por estar fixado à Dakota – que provavelmente já lhe dava sinais de que o relacionamento entre eles não estava bom. A troco de ser um cara correto, Landon se acomoda neste lugar e surpreende-se quando muda-se para a Nova York  e leva um pé na bunda da namorada. Por coincidências do destino, Nora é amiga de Tessa, que a leva para dentro da casa que eles viviam e faz Landon enfrentar a pulsão sexual que Nora o despertava.

Nora revela-se a Landon, quase como o que Hardin foi para Tessa, alguém que o obriga a sair dos tabus e normas sociais, inclusive a de querer namorar uma ‘rival’ de sua ex-namorada – mesmo ele já tendo sido rejeitado. E isso não é um processo fácil pra ele. Ele se acostumou a internalizar os traumas dos outros, inclusive os de Hessa, para então existir. Ele só poderia ser útil no mundo, se pudesse afagar quem estava por perto.

A sensação que fica é que Landon tem um papel social a cumprir, que sofre para desapegar-se. Ele não poderia negar-se pra mãe, pra Tessa, pra Hardin, para Dakota, para quem quer que fosse. Ainda que a vida lhe obrigasse a seguir novos caminhos, ele sofria para aceitar. Essa é uma característica de Karen, do amor além da alma. E esse é o ponto para Landon. Enquanto cuida do outro, quem é que cuida dele?

Há ainda uns traços de timidez claramente notados neste personagem e creio que isso também facilitava o fato dele se acomodar no papel que sempre exerceu. Antes de Tessa, por exemplo, acho que nunca teve outros amigos com quem conseguira se abrir tanto. Ele já estava acostumado a ser aquilo e não estava disposto a se mostrar uma pessoa diferente. Até que o amor o exige. É impressionante como é sempre por essa via que o sujeito aparece, que se sujeita a sair do lugar e encarar as suas falhas, literalmente.

O passado e quem sempre foi fazem Landon travar uma batalha diária consigo mesmo, nos mostrando que até as pessoas ‘certinhas’ fazem escolhas ruins. Se não pro outro, para si mesmo. A diferença, neste caso, é que há fé. Landon acredita e se permite ao amor muito mais do que Hardin se permitia no início. É inclusive por causa dele, que a aproximação entre eles é possível. Landon acredita nas pessoas. E é esse o ponto de alívio e sofrimento. Traz dor no momento em que ele se omite para fazer existir o outro, mas traz alívio, quando confirma que o amor não decepciona, que ele pode tentar de novo, mesmo que com uma pessoa diferente.

Eu diria que o que Landon não é o rapaz ‘certinho’ como o conhecemos. Ou só o é para os outros. Consigo ele é muito severo, rígido e pouco permissivo. E isso tem um preço pra ele. Todavia, o amor o permite viver para além disso. Quando se liberta, não tem medo de viver, tão pouco de perder. O verdadeiro medo de Landon é não amar. E ele luta com isso a vida inteira.   

E assim conhecemos o desfecho do rapaz que precisa ser amado para existir. Com medo de errar e não ter o amor do outro, ele desfaz-se de si na maior parte do tempo. Neste ponto, questiono quem é que faz as escolhas certas em After: se é Hardin que faz de tudo para viver um amor ou se é Landon, que deixa de amar e se entregar à Nora porque teme não ser amado. O certo e o errado é uma questão de ponto de vista, por isso não há receita de bolo para felicidade. O que muda é a perspectiva. Landon sempre julgou agir certo, e só percebeu o quanto estava ‘do lado errado’, quando viu que estava vivendo para agradar o outro, e não a si mesmo.

E a vida é assim, cheia de escolhas. Se é certa ou errada, só cabe ao sujeito julgar. Adoro a frase de Tessa no último livro de After que diz: “É muito fácil julgar um relacionamento quando você não está envolvida nele”. E eu adaptaria, neste caso, para: “É muito fácil julgar alguém quando não é você o protagonista da história”. Na dúvida, faça-se protagonista e autor da sua própria história, a não ser que deseje ser um Landon, que espera o julgamento do outro para saber de si. Só não se esqueça que ele somente consegue viver um amor depois que percebe que mais do que ser amado, a grande graça da vida é permitir-se amar.

Sobre a autora

Jornalista por profissão há dez anos e psicóloga há três. Pesquisadora da área de Psicanálise e Cultura Digital, atua na clínica com jovens e adolescentes. No seu aniversário de 31 anos ganhou o livro After de uns amigos psicanalistas. Em um mês já tinha lido a série completa. E agora é só o Depois.

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