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After No Divã #23 | O que há por trás dos pesadelos de Hardin Scott?
POSTADO POR Douglas Vasquez EM 10.Jul ARQUIVADO EM:Colunas

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

“Cadê você, Scott?”. “Eu vi quando ele saiu do bar. Tenho certeza de que está aqui”, diz outro homem. Saio da cama e sinto o piso frio sob os meus pés. No começo achei que fosse o meu pai e seus amigos, mas agora acho que não. “Saia, saia de onde você está”, a voz mais grave grita. “Ele não está aqui”, diz a minha mãe assim que termino de descer a escada e vejo quem são. Minha mãe e quatro homens. “Ei, olha só o que temos aqui”, diz o homem mais alto. “Quem diria que a mulher do Scott era tão gostosa?”. Ele segura a minha mãe pelo braço e a puxa para fora do sofá. […] “Mãe!” Exclamo e corro até a sala de estar. “Hardin, volta lá pra cima”. […] “Acho que ele quer ver”, diz o homem machucado, jogando-a no sofá. Acordo num sobressalto e sento na cama.

O trecho acima é de um dos relatos mais detalhados dos sonhos de Hardin, escrito pela Anna Todd no livro “After: Depois da Verdade”, no momento em que Hardin perde a companhia de Tessa, depois dela descobrir sobre a aposta. Neste mesmo capítulo vemos a narrativa de Hardin dizendo que desde que ela foi embora, toda noite agora era assim.

Mas afinal, o que são esses pesadelos de Hardin? Será que são apenas lembranças de um dos piores dias de sua vida? E porque Tessa tinha o poder de afastá-lo destes momentos? Antes de responder a essas questões, precisamos recorrer à teoria dos sonhos.

Uma das obras mais clássicas da Psicanálise é a Interpretação dos Sonhos, criada pelo pai da teoria, Sigmund Freud. Para ele, os sonhos são fenômenos psíquicos onde realizamos desejos inconscientes. Freud parte do princípio de que todo sonho tem um significado, embora oculto, da realização de desejos. Os desejos reprimidos na vida de vigília muitas vezes estão relacionados com os nossos desejos mais primitivos vetados fortemente pela moral vigente. Interpretar um sonho significa conferir-lhe um sentido, isto é, ajustá-lo à cadeia de significantes.

Em suma, o sonho é uma das manifestações do inconsciente. Diz sobre o passado (e não sobre o futuro), sobre desejos e traumas recalcados, daqueles que a gente não dá conta de dizer nem de explicar e que são manifestados através de fragmentos em nossos sonhos. Em um processo de análise a narrativa de um sonho é muito importante. É através desta manifestação, ainda que contada de forma desconexa e “sem sentido”, que o analista pode perceber como se manifestam enigmas recalcados que mais cedo ou mais tarde trarão significados importantes ao paciente.

E o que faz Hardin afinal quando passa boa parte da vida revivendo esse momento enquanto dorme? Como podemos ver acima, o primeiro fator para que estes pesadelos fossem recorrentes para ele é o fato de que ele não trazia isso para a consciência. Ou seja, não falava sobre isso. Para não ter que lidar com esse trauma de uma forma direta, ele preferiu recalcar – de forma inconsciente. Porém, o inconsciente se manifestava sempre que ele estava sozinho, à mercê de lembranças que ele aparentemente ignorava.

Quando Tessa chega ela não impede que os pesadelos aconteçam, mas ela desempenha um papel fundamental para que eles diminuam: ela dá a chance a Hardin de falar sobre eles. Quando ele externa isso, a constância parece cair drasticamente. Não isola, porque ele até então não havia tratado disso, mas falar sobre isso já parece ajudar.

Outro ponto importante recalcado no inconsciente de Hardin tem a ver com o enfrentamento ao pai.  O vilão pra ele deste episódio sempre foi Ken – mais até do que os próprios estupradores, e evitar o pai a qualquer custo o colocava à prova de um trauma não resolvido. Quando Tessa aparece e ele começa a frequentar mais a vida de Ken (até então o conhecido pai para ele), isso também parece se dissolver. Por mais que a raiva perdurasse, parece que conhecer o ‘vilão da história’ o afetaria menos. Quando mais se conhece uma pessoa e os motivos dela para tais atos, menos se julga, menos se sofre – vide exemplo de Molly, Ken e até o próprio Hardin. O leitor não odeia Hardin apesar dos atos porque tem a chance de ouví-lo, de compreender a sua história. E quanto mais conhece Ken, menos dramático o sonho fica.

Os pesadelos também revelam outro importante característica do protagonista de After: a insegurança. O sentimento de impotência vivido enquanto a mãe era violentada fragiliza Hardin, coloca-o na defensiva e incentiva a violência física. Enquanto não podia fazer nada enquanto criança, vai descarregar a raiva por via física. Ele não quer ouvir nem conhecer os motivos de seus adversários, quer se vingar. E esses sonhos constantes alimentavam esse desejo incessante de se vingar de algo que o seu inconsciente insistia em repetir noite após noite.

Com Tessa ele continua a sonhar, porque permanece inseguro, mas a imagem de poder ter ‘sob a sua custódia’ uma mulher que ele poderia proteger, inclusive de instintos sexuais de outro homem, faz com que ele também dissipe, de certa forma, o conteúdo desses sonhos do cenário onde ele não podia fazer nada. Tessa ameniza essa dor e dá a ele a chance de ‘protegê-la’, mesmo que esse fosse um pensamento só da cabeça dele. A companhia dela acalmava a impotência dele frente à situação violenta. Desta vez, ele poderia fazer alguma coisa. E isso traz alívio.

Todavia, o poder dela de acalmá-lo é consciente, concreto. Ela interrompia a sensação violenta do sono quando acordava-o para lhe tranquilizar. O verdadeiro papel de Tessa em relação aos pesadelos de Hardin é à função que ela desempenhava nele, a sensação de proteção e amor que ela despertava.

Ao longo dos anos os pesadelos vão diminuindo, porque apesar de todos os conflitos nos relacionamentos, Hardin se vê obrigado a aprender a lidar com os seus afetos. E isso também muda muito as coisas. Enquanto enfrenta o seu passado, diz sobre a sua raiva e se vê obrigado a agir de maneiras distintas para não perder algo que lhe importava na vida, ele vai ganhando segurança de si mesmo e a demonstração de afeto deixa de ser pra ele uma violência. Já disse várias vezes isso, mas nunca acho demais repetir: o que muda Hardin não é diretamente Tessa, mas a capacidade que ele vai adquirindo de lidar com os seus próprios sentimentos. 

É um processo longo, doloroso e cheio de consequências, inclusive para a parceira que se coloca à mercê desse aprendizado junto com ele. Mas afinal, o que é o amor senão a capacidade de ouvir o outro? E aí sim, neste papel, Tessa se faz fundamental para o desenvolvimento de um Hardin disposto a lidar consigo mesmo.

Sobre a autora

Jornalista por profissão há dez anos e psicóloga há três. Pesquisadora da área de Psicanálise e Cultura Digital, atua na clínica com jovens e adolescentes. No seu aniversário de 31 anos ganhou o livro After de uns amigos psicanalistas. Em um mês já tinha lido a série completa. E agora é só o Depois.

After No Divã #22 | After e a pulsão sexual
POSTADO POR Cínthia Demaria EM 03.Jul ARQUIVADO EM:Colunas

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Diversas vezes eu trouxe para esta coluna o que Hardin desperta em Tessa em vários sentidos – inclusive o sexual, mas nunca me debrucei com afinco ao significado do que é este ato para ele. Embora já tenha vivido variadas experiências com muitas mulheres, com Tessa há uma diferenciação clara, uma ressignificação e um divisor de águas. Não é só o amor que ela desperta nele. O sentido e o gozo que o encontro com ela proporciona acrescenta um ingrediente fundamental nesta ‘química’.

Comecemos pelo início da história de Hardin. A primeira cena sexual que ele presencia na vida é enquanto criança, durante um evento traumático onde ele assiste ao estupro da própria mãe, e que trará um significante importante pra ele: o sexo é um ato de violência. Naquele momento, a relação sexual é desvelada para ele como algo sem prazer, que marca claramente a ausência do pai e a indiferença da mãe sobre o assunto, por nunca ter discutido e por ter mantido verdade ocultas, como tratei no texto Trish, o não dito e a história construída por atos. Se fosse resumir em dois sentidos, o sexo para Hardin, pela primeira vez na vida, significou violência e desamparo parental.

Mais pra frente, como tratei no texto Natalie e a saída de Hardin para o passado traumático, o sexo vai aparecer para ele como uma punição pela vida. Já que fora ‘punido’ pelo ato sexual, é neste sentido que irá devolvê-lo ao mundo, claro que em uma saída inconsciente, até porque enquanto ‘punia’ o mundo pela sua visão distorcida de prazer, era a si mesmo que ele estava punindo. Ele estabelece várias parcerias que mais tarde ele irá confessar que não necessariamente se enquadrariam em um prazer da libido sexual em si, mas um alívio momentâneo, onde ele tentava circundar aquele assunto que ele esteve sempre às voltas, que mesclava um destino de alívio, de pertencimento social, mas também de angústia.
Até chegar em Tessa. O mistério da virgindade o atraiu por algum motivo, e não necessariamente o da aposta. Ele se coloca neste jogo para se ‘resguardar’ de qualquer possível encantamento pelo amor ou até para não perder a sua posição social frente aos outros, dada a sua insegurança.

Pela primeira vez ele toca uma mulher sem esperar algo em troca, de realizar-se no prazer. A primeira cena entre eles (a do lago) é praticamente Hardin desenhando o prazer da mulher, e quase nos dá a sensação de que era a  primeira vez em que ele via aquilo, e o prazer era todo em assistir uma mulher gozar frente a um instinto que ele dominava completamente.

Tessa é a primeira experiência que ele tem de que não precisa punir o mundo com o sexo. Repetidas vezes ele diz que um dos principais fatos de a querer tanto é porque nunca tinha dormido com outros homens, por isso a ideia de qualquer homem que chegue perto dela é um pavor, é como se quisessem tirar dele o único prazer sexual que só ele obteve.

Outro ponto fundamental do fato de nunca ter sido tocada é em relação a uma posição que confronta a imagem “manchada” da mãe dele na infância enquanto vários homens possuíam uma ‘mulher inocente’. Esse fator talvez explique a forma paranoica com que Hardin lida com a possibilidade de Tessa ter outros parceiros que não saberiam preservar a sua inocência, talvez por isso o ciúme excessivo, especialmente com Zed, que literalmente coloca a sexualidade dela em jogo.

Em alguns momentos Hardin parece querer involuntariamente punir Tessa. “Não é justo que ela seja inocente e se entregue a alguém como ele”, ele se sente culpado por tirar a inocência sexual de uma mulher (como experimentara no passado), ao mesmo tempo em que a deseja. Por isso essa mola do desejo, que vai e volta sem cessar, em uma relação que o prazer traz culpa e revela a angústia do amor e da possibilidade de perda que antes de Tessa ele nem imaginava, pois não tinha o que perder.

Um ponto importante levantado por uma leitora do After no Divã foi também em relação ao fato de Hardin sempre pedir para que Tessa dissesse o que ela queria no momento do sexo. Desde o primeiro contato deles nesse sentido, ele sempre insistiu para que ela falasse, talvez pela insegurança e pavor da cena da infância, para ter certeza que ela consentia com aquilo.

Todavia, não há como dizer sobre a sexualidade de Hardin sem dizer sobre nós leitores, afinal não é este um dos principais fatores de interesse pelo livro? A pulsão sexual da leitura é o que dividimos com Tessa. Entre as “quatro paredes” de um livro, a mulher experimenta um sexo sem pudor através de algo que é aceito socialmente (a leitura). Diz também sobre discussões femininas, principalmente na juventude, que (ainda) não são tão abertas quanto para os homens. Por isso, ao meu ver, dentro vários outros, After cumpre um papel que quebrar esse tabu. Por mais doentio que Hardin possa ter parecido no relacionamento com Tessa, ele é quem a ensina que ela também pode (e deve) ter prazer. Ele não aceita se satisfazer sozinho, põe ela pra falar e realizar as suas fantasias, o que muitas vezes é difícil ocorrer socialmente – como vejo nos relatos de consultório e como vemos na vida.

Mesmo tendo ciúme, ele é quem acaba fazendo dela mulher, mostrando a ela que deve ser desejada por um homem. Ele só não admite perder isso que ele nunca tinha tido até então, mas não podemos negar que ninguém na vida nunca a valorizou como mulher, que deseja sexualmente, como ele fez.

A questão do insuportável e do ciúme é uma questão dele que é explicada em vários momentos da vida, como tentei fazer neste texto. Entretanto, não podemos deixar de assumir que tanto Anna quanto o seu personagem Hardin cumprem o lugar fundamental de trazer à tona questões sexuais naturalizando-as ao universo feminino. E isso sim é um ponto super a favor desta obra.

Sobre a autora

Jornalista por profissão há dez anos e psicóloga há três. Pesquisadora da área de Psicanálise e Cultura Digital, atua na clínica com jovens e adolescentes. No seu aniversário de 31 anos ganhou o livro After de uns amigos psicanalistas. Em um mês já tinha lido a série completa. E agora é só o Depois.

FASHIONISTA: Como comprar como a estrela do de After e do Youtube, Inanna Sarkis!
POSTADO POR Douglas Vasquez EM 28.Jun ARQUIVADO EM:Inanna

Fawnia Soo Hoo para a Fashionista

A atriz, diretora, escritora e cantora dá algumas dicas sobre sua próxima linha de roupas “Hypebeast-y”, mas “não é merchandise”.

Todos nós compramos roupas, mas não há duas pessoas comprando o mesmo. Pode ser uma experiência social e profundamente pessoal; às vezes, pode ser impulsivo e divertido, em outras, orientado por objetivos, uma tarefa árdua. Onde você compra? Quando você compra? Como você decide o que precisa, quanto gastar e o que é “você”? Estas são algumas das perguntas que estamos colocando em figuras proeminentes em nossa coluna “Como eu compro”.

Inanna Sarkis inclui atriz, roteirista, diretora, produtora e cantora como marcadores para o seu título multi-hifenizado – e ela não esperou que tudo acontecesse com ela. Criada no Canadá e nascida em Los Angeles, ela criou seu próprio caminho colocando seus próprios filmes e vídeos curtos no YouTube – onde ela tem mais de 3,3 milhões de inscritos e crescendo – para se tornar uma das poucas a entrar na tradicional Hollywood.

Ela recentemente co-estrelou a fan-fic de Harry Styles e o filme “Cinquenta Tons de Cinza”, “After“, ao lado de Josephine Langford (irmã de Katherine), Pia Mia, Selma Blair e Peter “Sandy Cohen” Gallagher. “Eu sou tipo o vilão fodão”, diz Sarkis, por telefone, sobre sua personagem, Molly.

Seus quase 9,4 milhões de seguidores do Instagram rastreiam e se envolvem obsessivamente com seu feed, apresentando seu streetwear de dia, glamour do tapete vermelho no estilo pessoal da noite – que também cruzou a tela grande. “O cabelo de Molly é rosa, então foi super divertido e divertido de se trabalhar”, diz Sarkis. “Eu fiz spacer buns para uma selfie e no dia seguinte [os tomadores de decisões do filme] disseram, ‘Eu gostei de como isso ficou, então vamos fazer isso para uma cena.'”

Entre preparar novos conteúdos para todos os seus próprios canais e se preparar para as aparições no tapete vermelho de “After” (juntamente com uma série de outros eventos de Hollywood), Sarkis falou ao telefone com Fashionista para discutir sua obsessão por tênis, os melhores pontos para personalizar denim vintage em Los Angeles e sua próxima linha de roupas, que representa sua ética de trabalho.

“Definitivamente, me interessei mais por moda. Estou estilizando mais a mim mesma. Quando comecei a fazer vários vídeos no YouTube, sinto que não me importava – só usava o que quer que fosse. ‘ tem no meu armário? Vou usar isso. Eu não pensava em me nomear, estava fazendo muitas coisas: estava dirigindo, estava escrevendo, produzia, estava atuando, estava no PA.

Moda era a última coisa em minha mente. Mas quanto mais eu estava trabalhando na indústria, fazendo filmes e indo a eventos, eu ficava tipo, ‘ah, merda, o estilo faz a sua imagem’, e isso apenas ajuda você como pessoa. Então, as coisas que eu tenho filmado ultimamente, tenho me focado em obter uma pessoa ‘glam’ e descobrir o cabelo, a maquiagem e a roupa que trazem à tona o personagem.

Meu estilo é definitivamente ‘tomboy’. Porque eu moro no Vale, se eu não tiver que me vestir, não vou me arrumar. Eu realmente não uso maquiagem e tenho meu cabelo em um coque – essa é a minha escolha. Eu não quero passar 10 horas me preparando para tomar um café, sabe? Eu amo jeans tipo boyfriend. Meu dia-a-dia é mais ou menos assim: tops e jeans muito casuais, estilo boyfriend e meio sexy. Se eu sair, vou usar jeans apertados, de cintura alta ou um vestido fofo. Eu até adoro fazer vestidos diurnos com runners. Eu amo blazers com runners. Adoro o contraste de misturar peças sofisticadas e cotidianas.

Obviamente, eu tenho os tênis Balenciaga, mas eu sinto que eles estão exagerados agora. Há aqueles outros robustos Balenciaga [Triple S] e aqueles Louis Vuitton Archlights, com aquela estranha curva no sapato. Eu os amo porque você pode vesti-los. Eu os usei ontem com um vestido para um evento noturno. Eles são tão versáteis e você pode tirar o máximo proveito deles. Então, obviamente, eu amo um bom par de Vans. Eu tenho, tipo, 20. Eles são tão acessíveis. Você nunca erra com um Vans branco limpo e eu amo os de plataforma, também, porque eu sou baixinha. Eu gosto dos meus sapatos com alguma altura.

Eu não gosto de fazer compras se estou procurando por algo, porque nunca vou encontrá-lo. Eu sou essa pessoa. Se eu estou andando e vejo algo, vou pegar. Eu não amo muito as compras on-line, porque tenho que experimentar as coisas, especialmente jeans. Esqueça isso. Eu nunca encontrarei o par certo online. Mas se são sapatos, acessórios, tops de coisas, eu faço tudo isso online.

Meu encontrado favorito é a minha jaqueta de couro Mackage que eu comprei há algum tempo em Toronto. Eu só tropecei no shopping. Eu tenho isso por provavelmente oito anos e fica melhor com o tempo. Foi como uma compra de US $ 700 e, na época, eu estava tipo, ‘Oh meu Deus, eu não vou comprar uma jaqueta de US $ 700. Eu não posso pagar isso, mas eu realmente quero essa jaqueta. Isso foi muito e eu ainda estava na faculdade, mas se encaixava perfeitamente. Eu entendi e não me arrependi. Eu pensei que iria, mas não fiz. Eu não encontrei outro bom.

Adoro fazer compras em Melrose. Há o mercado Melrose Trading Post no domingo. É super bom. Eu fui lá quando me mudei para L.A. e comprei dois pares de calções da Levi e um par de jeans que eu tenho há anos – eles só têm as lágrimas perfeitas neles. Eles também vão rasgá-los e “vintage” mais para você. Eles têm camisetas simples e camisetas de roqueiro, e novamente, eles podem bagunçar mais, dependendo de como você quiser. Esse é o privilégio. Você não pode ir a um shopping e ficar tipo: ‘Ei, você pode afligir um pouco este tee?’

Eu tenho essa camiseta ‘Space Jam’. Ela cortou, cortou e desgastou completamente as costas e foi tão legal. É apenas uma coisa divertida para fazer em um domingo com seus amigos. Eles até têm aquelas jaquetas de corrida da Nascar; Eu tenho o tamanho de uma criança e é apenas a mais fofa. Esqueça o casaco dos homens, eu quero o do garoto. É mais pela experiência, eu nunca vou realmente tentar encontrar algo.

Eu tenho tomado meu tempo e criando minha própria linha. [Eu tenho trabalhado nisso por um tempo agora, porque eu acabei de ter essa forte opinião sobre não torná-lo merch. Eu só não quero fazer isso porque eu não compraria merch, então por que eu teria meus fãs comprando isso? Eu sinto que todo mundo está pegando o caminho mais fácil e apenas dizendo ‘ah, apenas bata nele’, e eu não queria fazer isso.

Definitivamente é mais uma coisa estilo HYPEBEAST-Y , estilo de rua. Vai ser MOLETOM e t-shirts e coisas assim. É definitivamente sobre conforto e eu quero tê-lo para que você possa balançar com tênis, mas também saltos. Vai ser unissex também – sem associação de gênero. Eu sempre pego emprestado as roupas do meu namorado.

Eu mudei o nome algumas vezes, mas agora estamos finalmente, esperançosamente, indo para este: Visus, que significa visão em latim. Basicamente, ele representará todo o estilo de vida do que você acredita, o que você imagina e o que você pode criar. Eu sou apenas uma crente forte disso. Quando me mudei para o L.A., não tinha nada. Tudo o que eu tinha era uma visão para mim e foi nisso que eu fiquei. Sua visão é toda sua, e se você tiver visão de túnel, basicamente conseguirá o que quiser.”

Tradução por After Brasil.

After No Divã #21 | O que a escolha profissional diz sobre Tessa?
POSTADO POR Cínthia Demaria EM 27.Jun ARQUIVADO EM:Colunas

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Um dos momentos mais complexos da vida é aquele em que o sujeito precisa decidir-se sobre qual será a sua ocupação na maior parte do tempo ao longo dos anos. O trabalho é talvez um dos ciclos sociais mais fundamentais da humanidade, pois garante subsistência, traz a noção de ‘sentido’ e ‘utilidade’ no mundo e contribui até para o pertencimento social. Seja qual for o ramo, sempre vai haver uma parceria, nem que seja com um cliente.

A escolha profissional diz sobre quem você gostaria de ser, com o que gostaria de trabalhar, mas diz muito mais, diz sobre quem você é. Não há escolha sem razão. A bem da verdade é que esta dúvida não é só por uma fase. Muita gente se redescobre ao longo da vida e de repente decide trilhar novos rumos. E tudo bem. A vida é de quem a vive e passar a maior parte do tempo trabalhando com o que não gosta é a maior bobagem. O trabalho é sustento, sobrevivência, mas não deve ser necessariamente árduo, muito pelo contrário.

Pelo visto a protagonista de After entendeu bem esse recado. Mas afinal, o que a escolha da profissão encabeçada pelo destino universitário tem a nos dizer sobre Tessa?

A personagem do livro (que é quem essas análises levam em conta) decide estudar Letras (Inglês, nos EUA). Uma profissão criativa, sensitiva, compromissada com uma história. E não se parecem com Tessa essas características?

Pelo visto ela já amava a história de amores improváveis/impossíveis – dadas as principais referências citadas em After. Dentre as obras que ela mais discute com Hardin estão aquelas em que ela se enxerga, que consegue se defender e se identificar. Vale lembrar que é por via do livro (e por suas paixões literárias) que ela cria o primeiro laço de admiração por Hardin, que é coincidentemente, a primeira vez em que o pré julgamento dela com alguém também cai. Tessa fica surpresa ao descobrir que aqueles livros que viu em um quarto durante uma festa era do garoto que a havia chamado a sua atenção (de forma negativa) mais cedo. Junto com a surpresa, o primeiro ponto de aproximação com o (futuro) amante. Essa é também uma das primeiras vezes em que ele aparecerá como um mistério pra ela, e que a partir daí, ela se verá tentada a investigar.

Desde o primeiro dia de aula Tessa parece estar determinada e escrever uma outra história. O contato com o livro dá liberdade a isso, a de a cada dia, poder viver uma aventura diferente. Trabalhar com isso é
uma tarefa complexa pro sujeito: é preciso se ver e se reinventar ali. É dizer sobre uma escrita de si para o outro, assim como Hardin o faz quando publica os seus livros.

A escrita faz uma borda para o sujeito que o nomeia. A função da escrita é alcançar o que está fora de alcance. É criar um nome, uma ficção de si, um enquadramento a um sintoma. Cada qual tem um objetivo diferente quando escolhe uma profissão (vejam por Tessa e Hardin), mas há um ponto pela letra e pela história, que os dois se identificam.

Como toda profissão, esta requer muita dedicação. É impossível ler uma história e não “se ler” ali. Já disse algumas vezes que a discussão com haters é na maioria das vezes desnecessária, pois cada um lê a história a partir do seu próprio repertório.

Quando sai de casa para estudar este curso Tessa sai determinada a ser autora da sua própria história, até então nos livros. E é aí que está o pulo do gato: apesar disso, ela decide seguir outra profissão, a de organizar casamentos.

A nova escolha a incentiva a viver para além da teoria de sua própria escrita, mas vai viver na prática o novo, o impossível, o que ninguém jamais imaginaria que ela fosse fazer. Após ajudar com o casamento de Landon, Tessa encontra-se perfeitamente naquela função. É quase como se ela optasse por viver “organizando a felicidade”, lidando o tempo inteiro com o improvável e realizando sonhos. Mal sabia ela que ajudar a realizar os sonhos dos outros ela estava na verdade realizando-se.

Tessa sai dos livros sem sair das histórias de amor. Ela sai da teoria e vai pra prática. Uma profissão inclusive complementa muito a outra. O que se faz em Letras senão construir boas narrativas? E quando faz isso, cria oficialmente a sua assinatura no mundo. Ela é útil assim, se vê feliz assim e direciona oficialmente o seu desejo de final feliz para uma atividade laboral. 

Isso é a escolha profissional: como você quer ser reconhecida(o) pelo outro, a partir do que você mais ama fazer na vida. Considero o tempo para decidir isso muito pouco, se fixarmos aos prazos de escolas e universidades. O que vale é o prazo da vida. A direção é você quem dá. Passa pela borda que você quer dar ao gozo que você compartilha com o mundo. E cada um faz o seu sentido. 

Hardin endereça a sua história a alguém e faz um uso da profissão completamente diferente do que Tessa faz. Ele constitui-se no mundo e sobre o novo ser humano que passa a ser a partir da sua escrita. Já ela, utiliza dos seus traços de organização, com o desejo de juntar finais felizes, independente do caminho que aquelas pessoas tenham percorrido até o casamento. É nesta nova profissão que Tessa deixa cair oficialmente todos os seus preconceitos, porque seja qual for a história de amor, ela estava disposta a contar para o mundo.

As escolhas profissionais de Tessa, no fim das contas, revelam alguém que ela passou a ser, capaz de mudar, de assumir novos amores e bancar decisões que jamais imaginaria, sem perder a sua essência pela organização e pelo apreço a um bom romance. O que vemos ao final, é uma mulher capaz de destinar a sua pulsão pela vida por via de um amor real, em consonância a um trabalho que a dignificava.

Sobre a autora

Jornalista por profissão há dez anos e psicóloga há três. Pesquisadora da área de Psicanálise e Cultura Digital, atua na clínica com jovens e adolescentes. No seu aniversário de 31 anos ganhou o livro After de uns amigos psicanalistas. Em um mês já tinha lido a série completa. E agora é só o Depois.

After, o filme, está disponível em formato Digital!
POSTADO POR Douglas Vasquez EM 26.Jun ARQUIVADO EM:Cinema

Há poucas semanas do lançamento do DVD e Blu-Ray, a versão digital do filme é lançada nos Estados Unidos através da Amazon Prime, Apple TV e iTunes, com cenas deletadas como conteúdo bônus.

Para o Brasil, o filme não chegará em DVD e não tem previsão de distribuição digital, segundo a Diamond Films Brasil. A aposta é que o filme fique disponível na Amazon Prime Video e Google Filmes/Youtube Filmes, de forma paga, já que este é o padrão de distribuição digital dos filmes sob os direitos da distribuidora.

Você confere as cenas deletadas abaixo:

Assista ao filme completo:

Também disponível neste link, com legendas em português.

E mais de 5 mil capturas em HD em nossa Galeria de Fotos, clicando aqui.


Caso você esteja fora do país e tem a possibilidade de adquirir o filme: Amazon, iTunes (com extras) e Google Filmes.

After será distribuído pela Netflix apenas nos países europeus.

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