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After no Divã #30 | 5 perguntas que os fãs fariam à Tessa Young
POSTADO POR Cínthia Demaria EM 10.Sep ARQUIVADO EM:Colunas

Na semana passada perguntei no Instagram do @afternodiva o que os leitores gostariam de dizer à Tessa se tivessem a chance de fazer uma única pergunta. Reuni algumas dúvidas e selecionei alguns comentários para que eu pudesse tentar discorrer neste texto. A proposta não é trazer ‘qual seria a resposta de Tessa’, até porque esse papel caberia apenas a Anna Todd, mas por aqui me atenho às análises a partir do contexto que temos conhecimento.

Não custa lembrar que este texto contém spoilers. Portanto, se você ainda não leu toda a série After, deixe o link salvo para voltar aqui quando tiver terminado. 🙂

1. O que é o amor para Tessa Young?

Vamos começar por esta, que parece ser a pergunta mais “fácil” de ser respondida, mas que na verdade é a mais complexa. Por mais que possa parecer que Tessa se entrega completamente (e talvez até cegamente) ao amor, no decorrer da história vemos que não se trata de um conto de fadas, e para ela, o amor nem sempre foi sinônimo de romance ou de felicidade. Ao meu ver, o amor para Tessa tem sentidos múltiplos: dor, angústia, amadurecimento, autoconhecimento e prazer. É sinônimo de medo, de perda, de submissão aos desejos de um outro por algum momento, mas é também mola propulsora de um empoderamento que fará ela amar a si mesma antes de todas as coisas. É amando um outro que Tessa irá perceber que só poderia ser feliz se amasse a si própria. O amor para Tessa, na minha opinião, é um reflexo no espelho de que a confiança é o que a faz afastar do que lhe faz mal. Sempre que alguém tentava decidir por ela o que deveria fazer, havia dor: sua mãe, Hardin, os seus ‘colegas’ de faculdade etc. E quando percebeu que amor não é sinônimo de submissão nem sobre se sujeitar a um desejo de um outro, mas que ela também poderia SER e DESEJAR, que pôde então ser feliz e partilhar com alguém sobre os prazeres da vida.

2. Se pudesse mudar alguma coisa do passado, será que Tessa mudaria?

Penso que talvez Tessa não mudaria nada. O que seria do seu amor se não pudesse conhecer a dor? Talvez ela quisesse ter acelerado o processo de amadurecimento, mas o que Anna nos mostra é que não é assim, alterando um comportamento como em uma fórmula mágica, que as coisas mudam. É um processo, uma escolha subjetiva, inconsciente, que a faz distanciar de seus valores enraizados. Costumo dizer que alterar um comportamento ou ouvir um conselho como “afaste-se dele” é muito fácil e bonito, se não tivesse nenhum sujeito por trás disso. Seguir um conselho não é tão simples quando o sujeito está ali também desejando, pois não há nada mais complexo do que afastar-se do próprio gozo. Se fosse fácil, ninguém erraria, não é mesmo?

3. O que Tessa pensava enquanto conhecia os traumas de Hardin?

Entendo que conhecendo Hardin, Tessa começou a ficar cada vez mais forte. A medida em que o papel do “cara intocável” vai caindo, ela vai percebendo qual é o tamanho da sua força. O que a fazia submissa a ele no princípio deixa de fazer sentido a partir do momento em que a ‘vida real’ vai tomando forma. Se antes ele estava em um papel do ‘ídolo indecifrável’, com a revelação dos traumas, ele vai se tornando um ser humano comum, frágil, cheio de furos, como a Tessa, como eu e como você. Além da curiosidade da personagem, a revelação de quem é o amado, para além do sujeito que se ama, a faz ficar com ele, e de maneira cada vez mais intensa.

4. Você acha que as pessoas realmente tem o poder de mudar as outras? Com tudo o que passou com Hardin, você acha que em outros casos, o amor por alguém pode sempre superar tudo?

Essa é uma boa pergunta para se fazer para Tessa, sem dúvida. De qualquer forma, no meu ponto de vista, não acho que foi ela quem mudou Hardin não. Acredito que ela tenha sido o meio, e talvez a principal motivação para que ele enfrentasse os fantasmas do seu passado, mas não foi ela a causa da mudança especificamente. O que ela faz com Hardin é quase o papel do analista, de colocar ele pra falar dos seus traumas, encarar de frente os seus problemas e dar lugar à palavra ao invés de atos (como ele sempre fez na vida). É por isso que ele muda. Ninguém muda ninguém. O que o amor de Tessa faz é colocar Hardin a trabalho. Quando ele consegue girar o discurso do ódio com a sua família e consigo mesmo, é que ele tem a chance de ser diferente.

5. Porque Tessa desiste de se casar ‘oficialmente’ com Hardin?

Várias pessoas já fizeram essa pergunta pra mim, inclusive. E essa é a grande virada do livro, ao meu ver. A sacada de Anna Todd é justamente passar a mensagem de que não existe conto de fadas e que as pessoas mudam e estão sim dispostas a abrir mão dos seus rótulos, do que acreditaram cegamente toda a vida que seria a felicidade. Tessa amadurece a ponto de dar conta de bancar suas novas escolhas: a nova profissão, um relacionamento mais maduro com a mãe e um romance fora do rótulo que sempre criou pra si. Quando ela não se casa oficialmente com Hardin revela de forma clara que o foco é ser feliz, na vida real, mesmo com todos os problemas, e não seguir os rótulos que a sociedade impõe do que é ou não ideal.

E você, o que acha destas que seriam possíveis ‘respostas’ aos questionamentos feitos à Tessa? Conte pra gente nos comentários.

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