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After No Divã #26 | Hardin, Smith e a parceria pelos traços identificatórios
POSTADO POR Cínthia Demaria EM 07.Aug ARQUIVADO EM:Colunas

Muitas pessoas querem descobrir quem irá interpretar Trevor na continuação do filme, em After We Collided. Outras só querem saber se teremos o Smith para contracenar com Hardin nas cenas que podem ser as mais fofas da trama. 🙂 E hoje vamos falar sobre a identificação dos traços entre os irmãos de sangue, filhos de Christian Vance.

Smith tem um papel muito importante na história, porque revela vários traços da personalidade de Hardin. E não é assim que conhecemos as pessoas, a partir das suas relações com os outros? Por mais que Hardin resista a ideia de cuidar dele na primeira noite em que Kimberly pede esse favor à Tessa, não há como negar que ao final ele acaba curtindo a experiência. Como em diversos momentos de After, Hardin vive várias “primeiras vezes” desde que se permite a olhar para algo que vai além de si mesmo.

A priori, o pequeno já explicita uma mensagem clara de Hardin à Tessa, endereçando-a o desejo de nunca ter filhos, porque detestava crianças. E ainda no primeiro dia de contato, Tessa ouve Hardin dizer ao garoto que não iria se casar com ela – o que depois renderá uma discussão.

Para além de Hessa, Smith também traz algo importante sobre a identificação. Mesmo com toda a disponibilidade de Tessa, é com a ‘grosseria’ e com o prazer (quase consciente) de quebrar as barreiras de Hardin que ele opta em desfrutar. O pequeno faz perguntas difíceis e coloca o irmão mais velho no lugar do “não saber”, em qualquer chance que tenha de fazer isso. É até engraçado como ele tira Hardin do eixo e se identifica a ele justamente pela forma “inapropriada” de contato. Mesmo Tessa e Kimberly dando atenção, é a Hardin que ele sempre se direciona.

Em alguns momentos Smith parece ser uma versão mini de Hardin, numa personalidade resguardada, impetuosa, inquieta e desconfortante para o outro. Eles se parecem em detalhes importantes, como se incomodar com personalidades muito afetuosas, como aquelas que os circundam. Incomodar o lugar comum dos outros e “quebrar regras”, como as de que uma criança (não necessariamente) quer se sentir amada publicamente, parece funcionar bem no caso deles.

Há outro ponto de identificação importante entre os dois: a partilha da tragédia familiar. Apesar de terem o mesmo pai, sofreram perdas parentais importantes na infância: Hardin perdeu a figura paterna, enquanto Smith perde a figura materna. São duas “mortes” experimentadas por lutos distintos, mas que perpetuam o trauma de que uma figura importante a qualquer momento pode partir. Smith sempre pergunta a Hardin se as pessoas vão morrer, e Hardin se pergunta o tempo inteiro até quando Tessa irá ficar.

Smith vê em Hardin a figura do anti heroi, aquele com a tragédia explícita, como se ele pudesse examinar tudo o que lhe aconteceu, mas acreditar que ainda pode haver compaixão. 

É uma relação de irmãos sem querer. Smith, mesmo saber, vai atrás daquele enigma que parece ser seu (e que poderia ser seu no futuro), de um sujeito que não se abre ao outro como as outras pessoas fazem. O indecifrável é o que chama a atenção do garoto. E vice versa. Há algo de curioso que faz Hardin aceitar a companhia de sua versão mirim.

A relação entre eles é um belo exemplo de que as identificações nem sempre acontecem pelo afeto excessivo. Tessa e Smith revelam que há algo no “misterioso” que faz o sujeito ir atrás. Por isso é muito difícil rotular uma relação “perfeita”, porque o significado disso é muito singular. E que Smith sirva de exemplo para quem ainda não compreende a mensagem final de After: é o mistério que mantém o respeito que se conquista.

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