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After No Divã #24 | Os dias da separação entre Hessa
POSTADO POR Cínthia Demaria EM 18.Jul ARQUIVADO EM:Colunas

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Se tem algum momento da série After que a gente torce pra passar rápido, sem dúvida é a parte em que o casal protagonista fica separado fisicamente. O romance envolvente de Hardin e Tessa nos faz querer torcer incessantemente para que eles nunca se separem. Porém, em alguns momentos a distância parece ter feito bem para o relacionamento, e hoje irei analisar três “separações” decisivas para a união deles, determinadas coincidentemente (ou não), pela distância.

É estranho perceber como a razão e o pensar sobre “o que estavam fazendo” só se torna possível enquanto estavam separados fisicamente. Juntos, a princípio, só havia emoção, paixão sem limites e consequências nem sempre das mais favoráveis. Por mais que seja deliciosa a leitura deles juntos, a gente vê que só conseguem dar continuidade ao relacionamento quando davam um passo atrás para pensar. Da passagem de paixão para amor tem esse ponto fundamental: a relação ardente precisa ganhar espaço para amadurecer e virar amor, e isso é inevitável, a medida em que o casal começa a ter que conviver com a vida social, laboral e familiar do outro.

Pois bem. Comecemos pelos difíceis nove dias em que ficaram separados em “Depois da Verdade”, quando Hardin vai pra Inglaterra para se ‘recuperar’ das recentes discussões e Tessa hospeda-se na casa de Landon, depois de sofrer um acidente de carro ao pegar o telefone pra ler uma mensagem do amado. O primeiro sinal de que as coisas não iam bem partiu da insegurança de Hardin ao ver que Tessa disse o nome de Zed enquanto dormia. Enfurecido, ele vai para um bar, dorme na casa de uma conhecida, mente para Tessa que saiu cedo pra tomar café com o pai e não dá mais notícias, até dizer outra mentira com a mensagem no celular que causou o acidente dela. Amparada por Landon, ela decide sair do apartamento, e ele, frustrado por ela não voltar pra casa arrependida, decide ir pra casa da mãe em outro país.

Esse erro foi decorrente do perdão de Tessa depois da aposta. Hardin apostou que ela o perdoaria novamente, e não aconteceu da forma como ele esperava. Foram 9 dias, um esperando o contato do outro, sem sucesso. Nessa primeira separação, os dois se entregam (pelos relatos da história), à vontade de fingir que nada tinha acontecido, pra jamais ficarem longe de novo.

Nessa separação não há razão. Apesar dos sucessivos erros cometidos pelos dois, eles só não voltaram antes por não dizerem ao outro como estavam se sentindo realmente. Evitaram a comunicação nos primeiros dias até Hardin trincar a tela do telefone e perderem a chance de contato de vez. A falta de comunicação, nessa situação, só piorou as coisas. Criaram fantasias, não tinham informação e ambos se apagaram de suas vidas, se entregando à dias terríveis de angústia, sem qualquer explicação. Uma separação totalmente movida pela emoção, pela raiva, pelo descontentamento e principalmente, pela falta de comunicação.

A segunda separação importante foi a ida de Tessa para Seattle. Não isenta de um erro (mais uma vez ocasionado pela insegurança de Hardin), quando ele tenta boicotar a mudança dela pra cidade que sempre quis, Tessa vai mesmo assim. Aqui a relação está mais madura, e apesar de sucessivos problemas até que Hardin compreendesse a importância daquilo pra ela, o namoro deles permanece. Não há uma separação por raiva ou implicância. Tessa até diz em alguns momentos que se quisesse ficar com Hardin, precisaria se distanciar dele por algum momento e bancar as suas próprias escolhas, por mais que fosse difícil ficar longe.

E dessa vez faz bem. Por mais que ele frequentasse constantemente a casa dos Vance, eles criaram saídas para se manter distantes e juntos mesmo assim. E pra isso não foi preciso abrir mão da paixão, já que mantinham uma relação sexual ativa. A distância fez Tessa crescer profissionalmente e amar ainda mais o parceiro, a partir de pequenas atitudes quando ele demonstrava (menos que minimamente), compreender a escolha dela.

A segunda separação foi determinante para a terceira e para o sonhado final feliz. Ocasionado mais uma vez pela insegurança de Hardin com o episódio da Inglaterra que ele diz que nunca a iria merecer, ela volta para os EUA determinada a ir para Nova Iorque viver a sua vida. E de lá, com todas as saídas que cria (e com as constantes visitas de Hardin), ela compreende como alguém de fora da situação, que era com ele mesmo que gostaria de ficar o resto de sua vida. Há alguns relatos de tentativas de outros relacionamentos, mas em uma frase marcante, Tessa diz “É difícil entrar em um novo relacionamento quando o seu coração já tem dono”. E de fora, com várias idas e vindas, ela percebe que junto com o amor, a paixão por aquele homem jamais iria acabar.

Essa ultima separação foi decisiva. Ouso dizer que sem ela, talvez eles jamais se acertassem e ficariam constantemente nesse jogo de ir e voltar que só causava sofrimento. Ao final vemos um relacionamento bem mais maduro, não só pelo avançar da idade deles, mas pela compreensão de quem eram antes mesmo de estarem juntos. Se fosse para fazer uma analogia, diria que eles só deram certo depois que entenderam que um relacionamento saudável não é feito por duas metades da laranja, mas por laranjas inteiras (e diferentes) que escolhem por opção própria compartilharem a companhia, cada qual com a sua singularidade.

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