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After No Divã #12 | Análise After Movie: como foi a experiência?
POSTADO POR Colunista Convidado EM 18.Apr ARQUIVADO EM:Colunas

Por Cínthia Demaria – Jornalista e Psicanalista

Ok, vamos falar do filme. Nos últimos dois textos tratei sobre a expectativa e agora é hora da realidade. Recebi vários links no meu perfil no Instagram (@afternodiva) de fãs entristecidas com a opinião negativa de alguns veículos e de outras pessoas do fandom criticando a adaptação de After para o cinema. Por outro lado, opiniões positivas também não faltaram. Procurei ler todas elas, ver vários vídeos no YouTube sobre o assunto e até ler resenhas de críticos do cinema para escrever esse texto.

Antes de mais nada, eu queria deixar dois pontos acertados com vocês antes que continuem esta leitura:

  1. Este texto é para quem leu o livro e assistiu ao filme. As pessoas que acompanham esta coluna já são leitores de After, então é pra este público que vou falar. Ou seja, vou tratar da adaptação da obra para o cinema, e não do filme em si. Não me cabe julgar aspectos do cinema (como cortes, transições etc), nem sobre a impressão de pessoas que só viram o filme e tiveram contato com a obra pela primeira vez por meio desta mídia.
  2. Precisamos respeitar todas as opiniões. São diferentes, e lembra que eu disse no último texto que poderia frustrar mesmo? Pois é. Cada um tem a sua percepção. Tem gente que ama o livro e não gosta do filme. Tem gente que lê o livro e não gosta nem dele. E tudo bem, ninguém é obrigado a nada. Desde o princípio eu falo que só não pode haver desrespeito. Coloque-se, opine e vá lá na página da Anna Todd se posicionar se não tiver ficado satisfeito com o filme, mas faça isso de forma respeitosa e construtiva. A opinião diferente não faz da sua a melhor, e você perde toda a razão quando o ódio fala por você. Sejamos tolerantes.

Pois bem. Tratado isso, vou compartilhar aqui com vocês A MINHA opinião, com base em tudo o que li, vi e ouvi. Não é porque sou profissional da psicologia que faz análise dos personagens que sou a dona da verdade. Deus me livre desse posto. O dia em que eu me fechar para a verdade, eu nunca mais vou aprender nada nem me relacionar com os outros.

Para mim, o filme foi uma experiência bem bacana. Falei nos meus Stories do Instagram sobre a minha felicidade ao ver os personagens ganhando vida, e algumas frases “saindo do papel”. Mais do que a atuação de Hero e Jo (que sim, foram ótimas), a grande “graça” pra mim foi ver alguns detalhes do livro, algumas frases postas lá, que remetiam à história original, como quando Tessa tampa o nariz para mergulhar no lago; o vestido e a sapatilha idênticos ao descrito no livro etc. Essas lembranças me fizeram feliz. As cenas não foram exatamente as do livro, mas todos os elementos estavam lá. 

Como é um filme que ainda não se sabe se vai ter continuação, outros detalhes achei interessante terem sido postos agora, como o Hardin escrever a história deles de alguma forma e ele já deixar claro que era possível amá-la.

Alguns pontos chave eu vejo que vocês sentiram falta, como o conflito com Zed, a questão (importantíssima) de Hardin com o pai e os pesadelos. Sim, faltou, mas de tudo o que eu li, tirei uma conclusão sobre isso. Se esses dilemas tivessem sido abordados, não haveria tempo para finalizá-los em um único filme. São questões densas, que vão se resolver muito mais pra frente, e que PRECISARIAM de um tempo bom pra explicar. Ao meu ver, seria necessário mais de uma hora e meia só pra explicar os pesadelos, por exemplo, senão seria eu a achar o filme ruim. Tem questões que precisam de tempo, pra não cair no erro de banalizar o tema ou de deixar de dar a importância que ele merece. Portanto, senti falta, mas pra mim é ok não terem sido tratados neste primeiro filme.

Por outro lado – e pelo que eu li de várias criticas, concordo que algumas adaptações não comprometeriam o tempo do filme, tal como uma Carol mais severa e mais preocupada com a aparência, como é no livro; um Zed mais atento à Tessa (porque não ficou claro no filme que ele era afim dela como Molly com Hardin); uma Tessa mais organizada e por aí vai. De qualquer forma, são detalhes que recolhi de vocês e concordo, mas não acho que comprometeriam demais o filme, mas que de fato poderiam agradar mais aos fãs que leram o livro.

Entretanto, o meu grande ponto com o filme é o que me prendeu 100% ao livro: quem é Hardin Scott. Ao meu ver, o que segura o leitor em todas as páginas é procurar decifrar quem é este homem intenso, capaz de proporcionar picos de prazer, e que ao mesmo tempo é tão misterioso. Por que ele simplesmente não consegue viver um romance tranquilo com Tessa? Por que ele estraga tudo? E porque não conseguimos odiá-lo e nos entregamos a ele tal qual Tessa faz em todos os retornos? Particularmente, é o semblante do mistério indecifrável que mantém a leitura viciante. Quem é esta pessoa? E o filme pecou em entregar de bandeja um Hardin totalmente decifrável e entregue ao amor. O grande ponto que trabalho nas análises é justamente a questão de um cara que ama e não sabe lidar com isso, mas encontra uma pessoa que vai colocá-lo a trabalho se quiser tê-la por perto. Essa é a força de Tessa e a fraqueza de Hardin. E isso daria tempo de fazer (claro que sem se alongar em muitos detalhes), até porque Tessa já está muito mais empoderada no filme.

Não acho que deveria ter necessariamente todos os conflitos, pois era preciso deixar claro em pouco tempo que eles se amavam muito, mas ver Hardin enfrentando a si mesmo em nome do amor deixaria a narrativa bem mais interessante, na minha opinião. E ver Tessa enfrentando essa intensidade sem saber quem é esse cara, mas que não podia mais ficar longe dele, sem dúvida daria outro tom, e acho até que justificaria mais a aposta.

Mesmo assim, as adaptações da aposta e de contexto foram muito bem colocadas. Achei muito sábia a decisão de adequar alguns pontos que foram alvo de crítica pra Anna no passado. E isso não incomodou. A aposta mudou, mas tudo bem, passou a mensagem de que Hardin decepciona Tessa fortemente. Temos que entender que é uma adaptação e o espectador não necessariamente leu todos os livros pra entender todo o lado do Hardin, então se tivesse seguido à risca a ideia da virgindade, poderia rechaçar o personagem sem dar uma segunda chance – que é o que segundo livro faz.

Resumindo, acho que ter a chance de ver o filme de um livro que você amou ler é uma grande oportunidade. Não deixe isso passar pelas críticas. Vá lá e tire a sua conclusão, você merece isso. Particularmente fiquei muito feliz por essa oportunidade e adorei mesmo estar na sala do cinema por diversas vezes para assistir ao filme e estou torcendo muito por uma continuação! Ver o cuidado da Anna com os fãs e a felicidade dela ao dar forma para a história que ela escreveu conta muito. Esse carinho deixa a experiência ainda mais singular. Posicione-se de maneira sábia e construtiva sobre isso. Comentei no meu Instagram que se um filme te proporciona expressar sentimentos (sejam eles quais forem), ele então vale a pena. 

Ah, e antes de finalizar, a todos que me perguntam sobre as análises, elas continuarão, e serão baseadas nos personagens dos livros, como sempre foram. Na semana que vem, inclusive, vou discorrer sobre uma pergunta que me fizeram no Instagram @afternodiva: “Por que Hardin permanece com a aposta mesmo tendo descoberto que já amava Tessa?”. Palpitem e aguardem!

Sobre a autora

Jornalista por profissão há dez anos e psicóloga há três. Pesquisadora da área de Psicanálise e Cultura Digital, atua na clínica com jovens e adolescentes. No seu aniversário de 31 anos ganhou o livro After de uns amigos psicanalistas. Em um mês já tinha lido a série completa. E agora é só o Depois.

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